Nova fase da Lava Jato mira esquema de lavagem de dinheiro em banco

  • Por Jovem Pan
  • 08/05/2019 07h26
Divulgação/PFCerca de 170 Policiais federais cumprem três mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão

A Polícia Federal, em cooperação com o Ministério Público Federal (MPF) e com a Receita Federal, deflagrou, nesta quarta-feira (8), a  61ª fase da Operação Laja Jato, batizada de Disfarces de Mamom.

Essa nova etapa investiga a participação de executivos do banco Paulista S.A. em operações de lavagem de dinheiro que contaram com a participação de integrantes do Setor de Operações Estruturadas, o setor de propinas, da Odebrecht. Segundo o MPF, ao menos R$ 48 milhões foram repassados pela empreiteira do exterior para o Banco Paulista S.A., para serem lavados por meio de contratos falsos entre 2009 e 2015.

Cerca de 170 Policiais federais cumprem três mandados de prisão preventiva e 41 de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. Os mandados foram expedidos pela 13ª. Vara Federal de Curitiba (PR).

São alvos dos mandados de prisão Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto, Tarcísio Rodrigues Joaquim e Gerson Luiz Mendes de Brito, executivos do Banco Paulista.

De acordo com o MPF, o setor de propinas criado pelo Grupo Odebrecht tinha estrutura hierarquizada com divisão de tarefas, composto por pessoas de confiança da cúpula da empresa, dentre as quais se destacavam Luiz Eduardo da Rocha Soares, Olívio Rodrigues Júnior e Fernando Migliaccio da Silva. Estes três, associados a Vinícius Veiga Borin, Marco Pereira de Souza Bilinski e Luiz Augusto França, detinham o controle societário do Meinl Bank Ltd., instituição financeira localizada nas ilhas de Antígua e Barbuda (Caribe), onde o Grupo Odebrecht abriu e manteve, pelo menos entre 2010 e 2016, diversas contas bancárias operacionais para a movimentação ilícita de valores.

As investigações tiveram início a partir de depoimentos e colaborações colhidas de três administradores de uma instituição financeira no exterior que atuava ocultando capitais em operações criminosas em favor do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Os presos serão levados para a sede da PF em São Paulo e posteriormente transferidos para a Superintendência do Paraná, onde serão interrogados.

O nome da operação remete a uma passagem bíblica “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6.24). Isso porque a instituição bancária envolvida, que deveria zelar pelo higidez do sistema financeiro no âmbito do qual ela estava inserida, valia-se de sua posição privilegiada dentro da estrutura financeira do mercado para a viabilização de atividades ilícitas.