Novo compromisso de Picciani pode atrapalhar diálogo entre Planalto e PMDB

  • Por Jovem Pan
  • 23/01/2016 11h04
Leonardo Picciani (de branco) e Quintão (listrado) em reunião que definiu saída deste da disputa pela liderança do PMDB

A disputa política em torno do processo do impeachment na Câmara ganhou novos elementos. Para conseguir o apoio de Leonardo Quintão à disputa pela liderança do PMDB na Casa, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) prometeu que vai indicar um grupo misto do partido para compor a comissão especial que deve analisar o pedido de impedimento da presidente Dilma.

Assim, as nomeações do PMDB não seriam compostas apenas de parlamentares contra o impeachment, como tentou fazer Picianni em 2015. Isso gerou à época a revolta de deputados pró-impeachment, levou o presidente da Câmara Eduardo Cunha a tentar rito paralelo de indicações partidárias (derrubado pelo STF) e agravou o racha dentro do PMDB sobre o tema.

A informação do novo compromisso assumido por Picciani foi dada pelo próprio Leonardo Quintão (PMDB-MG) em entrevista exclusiva à Jovem Pan (confira trecho no áudio do começo do texto). “Ele se comprometeu a indicar membros para a comissão do impeachment que são a favor, contra e, caso tenha pessoas indecisas, elas também terão a oportunidade de participar da comissão”, disse.

CPMF

Não apenas na questão do impeachment Dilma pode ter mais trabalho com a bancada do PMDB. O compromisso de Picciani para permanecer como líder do partido envolve consultar a posição das diversas alas da sigla antes de fechar apoio a qualquer projeto de lei do governo, como a espinhosa proposta de recriar da CPMF. Essa é uma das prioridades da equipe econômica de Dilma para reequilibrar as contas públicas e o orçamento de 2016 foi aprovado com a previsão do imposto.

“Nós iremos discutir a CPMF. O deputado Picciani já disse que é a favor. Eu pedi a ele para não comprometer como líder antes de colocar em votação e ele se comprometeu. Ele irá, daqui para frente, ter o cuidado de não se posicionar como líder antes de consultar a bancada”, disse Quintão. “Se a bancada disser que sim, ele (Picciani) está autorizado a falar sim para a CPMF. Se a bancada disser que não, ele irá ao plenário e dirá que o PMDB é contra a CPMF”.

Picciani é importante aliado do Planalto desde que conseguiu indicar nomes seus na reforma ministerial feita por Dilma para restabelecer sua base de apoio, ano passado.