Polícia Federal prende blogueiro bolsonarista no Mato Grosso do Sul

Oswaldo Eustáquio foi preso em Campo Grande; jornalista havia sido localizado na fronteira com o Paraguai

  • Por Jovem Pan
  • 26/06/2020 13h49 - Atualizado em 26/06/2020 14h57
Reprodução/InstagramO jornalista Oswaldo Eustáquio foi preso nesta sexta-feira (26)

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (26) o blogueiro Oswaldo Eustáquio. Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, o jornalista foi preso em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, na operação Lume, no âmbito do inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos.

A ordem de prisão de Eustáquio partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que é o relator do inquérito na Corte. Nas redes sociais, o blogueiro condenou a prisão da ativista Sara Winter, que foi detida no âmbito do mesmo inquérito. Ela foi solta nesta semana.

Segundo a PF, havia o risco do jornalista deixar o país. Ele foi localizado inicialmente em Ponta Porã, na divisa entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai.

Oswaldo teve o sigilo financeiro e bancário quebrado por ordem do ministro Alexandre de Moraes na semana passada, que também cobrou o envio de relatórios financeiros e pagamentos efetuados ao blogueiro pela monetização de vídeos e publicações feitas em suas redes sociais.

A quebra de sigilo engloba o período de 19 de abril do ano passado, o Dia do Exército, ‘marco mais remoto que se pode cogitar do início de eventual concentração para organizar os atos antidemocráticos em apuração’, até o dia 03 de maio deste ano – ‘data da manifestação imediatamente seguinte à que aconteceu durante a celebração daquela efeméride neste ano’.

O blogueiro mantém um site em que defende medidas e propostas caras ao Planalto, suas publicações são replicadas pelos filhos do presidente nas redes sociais. Em uma de suas lives, um ativista insinuou que o deputado federal Jean Wyllys teria tido contato com Adélio Bispo, que cometeu um atentado contra o presidente em 2018. Perante a Polícia Federal, o homem não sustentou a versão.

Apesar do desmentido, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) compartilharam uma peça de desinformação derivada da live. Os dois foram condenados pela Justiça a excluírem as publicações em ação movida por Jean Wyllys – Oswaldo também foi alvo da medida.

*Com Estadão Conteúdo