Para senador Cristovam Buarque (PDT), impeachment “não é positivo para a democracia, mas não é golpe”

  • Por Jovem Pan
  • 15/04/2015 17h29
Senador Cristovam Buarque - PDT

A base aliada e a oposição movimentaram-se bastante nesta quarta-feira (15) após a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Em entrevista ao repórter Victor LaRegina, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que não deseja o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Não é positivo para a democracia, mas não é golpe. Então, tem-se o direito de falar disso e defender dentro das normas. O impeachment é um processo muito longo e exige justificativas muito claras”, explicou.

Buarque ainda afirmou que o que se vive hoje é uma desmoralização grande dos partidos: “a exaustão não é só do PDT, tão grave quanto isso é a exaustão do Governo”. Segundo o senador, o Governo não é mais feito pela presidente Dilma e nem com as propostas que ela apresentou durante a campanha eleitoral. “Hoje o governo é feito com novas propostas, alguma delas necessárias, como o ajuste econômico, que é fruto dos equívocos dela”.

O senador do PDT ainda destacou a perda da imagem da presidente ao “triunvirato que tem um poder muito forte”, representado pelo vice-presidente da República, Michel Temer e pelos presidente do Senado e da Câmara dos Deputados, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, respectivamente.

Sobre um pedido de impeachment ser entendido como golpe, Cristovam Buarque foi bastante enfático. “Eu tenho dito que, de certa maneira, estamos vivendo uma lógica de golpe. Golpe não é só quando se coloca tanques de guerra no meio da rua. Golpe é quando
quem é eleito, as ideias do eleito não tomam posse. Hoje, não estão no poder nem as ideias
apresentadas ao eleitor e nem está no poder, de fato, a presidente Dilma”, justificou.

Manifesto do PDT

O senador, juntamente a mais cinco senadores do partido – Reguffe (DF), Zezé Perrella (MG), Lasier Martins (RS) e Telmario Motta (RR) – encaminharam uma carta aberta ao presidente nacional do PDT, Carlos Luppi, pedindo o afastamento do partido para com o atual Governo.

“Esse manifesto, essa carta, vem sendo refletida há meses. Em 2006 quando o presidente Luppi, decidiu aceitar o convite do presidente Lula de ser ministro, eu disse que isso ia inibir o PDT. Nós íamos perder a capacidade de refletirmos sobre a crise que o Brasil atravessava, e atravessa, e de formular propostas que o Brasil precisa para o desenvolvimento e que mude a cara do PIB brasileiro”, explicou.

Buarque disse ainda que o PDT sofre de exaustão e que esta só se recupera com “debate e propostas alternativas que o povo brasileiro está querendo”.

*Ouça a entrevista completa no áudio acima