Partidos rivais se unem para afastar Eduardo Cunha definitivamente

  • Por Estadão Conteúdo
  • 10/06/2016 09h09
Em sessão extraordinária

Partidos da antiga oposição à presidente afastada Dilma Rousseff, como PSDB, DEM e PPS, começaram a negociar uma união com os antigos adversários, PT, PCdoB e Rede, por um objetivo comum: afastar, por definitivo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara e realizar novas eleições na Casa. A articulação prevê ainda a discussão de um nome para disputar a sucessão do peemedebista contra o candidato apoiado por Cunha e que sairá do Centrão, grupo de 13 partidos comandado por PP, PR, PSD e PTB.

O diálogo entre os dois grupos foi aberto, na última quarta-feira (8). Como revelou a Coluna do Estadão, foram discutidas alternativas para provocar a realização de novas eleições internas. No encontro, a antiga oposição cobrou apoio dos petistas ao projeto que declara vago o cargo de presidente da Câmara.

De autoria do deputado Roberto Freire (PPS-SP), se aprovado, forçaria a realização de novo pleito, acabando com a presidência interina do deputado Waldir Maranhão (PP-MA). O maranhense assumiu o comando da Casa, no início de maio, após o Supremo Tribunal Federal afastar o peemedebista. 

Para aprovar o projeto, precisam de assinaturas de líderes que representem 257 deputados. Até agora, contudo, apenas PSDB, DEM, PPS e PSB apoiam a proposta. Juntos, os quatro partidos têm 119 parlamentares. A nova oposição, formada por PT, PC do B e PDT, soma 90 parlamentares.

‘Dúvida’

O PT, por ora, se recusa a assinar o pedido, “temos muita dúvida da real intenção deles”, afirmou o líder do partido, Afonso Florence (BA), que desconfia de que a antiga oposição quer aprovar o projeto em acordo para tirar Cunha da presidência da Câmara, mas o preservando do processo de cassação que tramita no Conselho de Ética.

A avaliação, no PT e nos outros partidos adversários de Temer, é que, por enquanto, pode ser mais favorável lidar com o presidente em exercício da Casa, muito embora este seja aliado de Cunha e parte do Centrão. Maranhão votou contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e é próximo de deputados de esquerda, além de ser aliado do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

A antiga oposição não aceita Maranhão,”o que está em questão é a normalidade da Casa. Não dá para Waldir Maranhão presidir”, afirmou o líder do PSDB, Antonio Imbassahy (BA). O tucano nega acordo para salvar Cunha, “a cassação de Cunha é consequência e, caso venha para o plenário, será inevitável”.

Mesmo com divergências na primeira conversa, os dois grupos vão continuar as articulações. Uma nova reunião está marcada para a próxima semana.