Pezão será transferido para Batalhão em Niterói

  • Por Jovem Pan
  • 29/11/2018 12h08 - Atualizado em 29/11/2018 12h10
Reprodução/FacebookO governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), foi preso na manhã desta quinta-feira (29), no Palácio Laranjeiras

Preso na manhã desta quinta-feira (29), o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), será transferido para o Batalhão Especial Prisional de Niterói (BEP). A medida será tomada porque Pezão ainda está à frente do estado.

Além dele, outras oito pessoas são alvos de mandados de prisão. Entre elas está o secretário de Obras do Rio de Janeiro, José Iran Peixoto Júnior, e o secretário de Governo, Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz, além de um sobrinho de Pezão, Marcelo Santos Amorim.

Também foram expedidos pelo ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mandados de busca e apreensão em endereços ligados a onze pessoas físicas e jurídicas, bem como o bloqueio de bens no valor de R$ 39,1 milhões.

A operação

Batizada de Boca de Lobo, a ação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Lava Jato e tem como base a delação premiada de Carlos Miranda, operador financeiro do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. Segundo Miranda, Pezão recebeu mesada de R$ 150 mil durante o período em que foi vice-governador e, até mesmo, 13° salário em propina — o que totalizou R$ 25 milhões entre 2007 e 2014. Em valores atualizados, os pagamentos se aproximam dos R$ 40 milhões.

Além da mesada paga por Miranda, Pezão também recebeu propina por meio de a empresa Fetranspor, segundo a Procuradoria-geral da República (PGR). De acordo com o procurador Leonardo Cardoso de Freitas, “é possível dizer que os pagamentos continuaram mesmo após Pezão ter assumido o governo do estado do Rio de Janeiro — e não só quando era vice.

Já a procuradora Raquel Branquinho Nascimento informou que os pagamentos de propina foram feitos por meio de percentual cobrado em cima de contratos de áreas específicas, que depois eram destinados à organização criminosa.

Fernando Frazão/ Agência Brasil

‘Não cessou’

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, explicou que a prisão preventiva de Pezão foi solicitada porque a organização criminosa liderada por ele continuou praticando o crime de lavagem de dinheiro nos últimos anos — e não só quando foi vice-governador. “Esse é um esquema criminoso que ainda não cessou. Por isso, por causa da atualidade do esquema, dos infratores ainda continuarem praticando esses crimes, é que se chegou à necessidade de pedir a prisão preventiva para a garantia da ordem pública”, afirmou Dodge.

De acordo com a procuradora-geral, os mandados de busca e apreensão vão contribuir para as investigações que apuram o esquema próprio comandado por Pezão. “Houve uma sucessão de pessoas partícipes dessa organização criminosa ao longo do tempo, mas que, mesmo depois das prisões contra quem liderava o esquema [o ex-governador Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016], houve uma nova liderança e é nessa perspectiva que aponta o governador do Rio de Janeiro e a ele se incluem novos atores”, explicou ela.