PF abre inquérito para investigar morte de cacique em aldeia no Amapá

A polícia também investiga a invasão de garimpeiros na região

  • Por Jovem Pan
  • 28/07/2019 16h04
Rede Amazônica/ReproduçãoLíder indígena foi encontrado esfaqueado no início da semana

A Polícia Federal e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar foram às terras da etnia Waiãpi no Amapá para investigar a morte do cacique Emyra Wajãpi, líder indígena da aldeia Mariry, que foi encontrado esfaqueado no início da semana. A PF abriu um inquérito para investigar o assassinato e a invasão de garimpeiros na região. Segundo a Funai, um grupo de 50 deles está na aldeia desde sexta-feira (26).

A área fica no município de Pedra Branca do Amapari, 189 km da capital Macapá.

De acordo com a equipe da Funai na região, a invasão começou na última terça-feira, mas o acompanhamento in loco das autoridades só começou após lideranças indígenas e moradores pedirem ajuda através de mensagens de celular, que repercutiram entre políticos e artistas nas redes sociais.

“Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto. Nesse caso, solicitamos articulação da Presidência da Fundação Nacional do Índio e da Diretoria de proteção Territorial (DPT) junto ao Departamento de Polícia Federal (DPF) e/ou Exército Brasileiro, para planejamento e execução de ação emergencial para apurar denúncias tratadas neste processo”, disse o memorando.

“Neste domingo, após a chegada de servidores da Fundação, da Polícia Federal e do BOPE, foi aberto inquérito pela PF para apuração da morte de um cacique que foi a óbito na semana passada. Servidores da Funai encontram-se no local e acompanham o trabalho da polícia. Assim que tivermos informações oficiais sobre o caso, atualizaremos”, afirma outro trecho do texto divulgado pela Funai hoje.

O assessor técnico da Secretaria dos Povos Indígenas do Governo, Makreito Wajãpi, confirmou as informações. “Estamos precisando urgente da entrada dos policiais federais, junto com a Funai, queremos que isso seja resolvido o mais rápido possível”, disse. Ele relatou que episódio como este “nunca tinha acontecido antes”. “É a primeira vez que aconteceu isso na nossa vida. Ficamos muito preocupados e tristes, porque temos família, crianças, e nossa preocupação é isso.

* Com informações do Estadão Conteúdo