PF atribui ‘esquema criminoso’ a senador Fernando Bezerra

A defesa do senador e de seu filho, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM/PE), classificou os fatos revelados pela PF como “pretéritos”. Bezerra colocou o cargo de líder do governo à disposição

  • Por Jovem Pan
  • 19/09/2019 13h30 - Atualizado em 19/09/2019 13h37
Agência SenadoO senador Fernando Bezerra Coelho (MDB/PE) foi alvo da PF na manhã desta quinta

A Polícia Federal (PF) atribui “esquema criminoso” ao senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do Governo no Senado, alvo de buscas em seu gabinete e em sua residência no âmbito da Operação Desintegração, nas primeiras horas da desta quinta-feira (19). Em entrevista na entrada do prédio onde mora, em Brasília, o senador informou que colocou o cargo de líder do governo à disposição.

Segundo a PF, a investigação busca desarticular um “esquema de pagamentos de vantagens indevidas por empreiteiras a autoridades públicas”. Bezerra e seu filho, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM/PE), que também foi alvo de buscas, são investigados por suposta ligação com irregularidades e propinas em obras públicas, entre elas a da transposição do rio São Francisco.

A PF aponta que empreiteiras investigadas assumiam “dívidas pessoais de autoridades, principalmente relativas às campanhas eleitorais”. A investigação teve início em 2017, com base nas delações de investigados da Operação Turbulência.

A Operação Turbulência foi deflagrada em junho de 2016 contra um grupo especializado em lavagem de dinheiro, em Pernambuco e Goiás, que teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010.

Na época, a investigação foi iniciada com base na análise de movimentações financeiras suspeitas detectadas nas contas de algumas empresas envolvidas na aquisição da aeronave Cessna Citation PR-AFA.

Esse avião transportava o ex-governador de Pernambuco e então candidato à Presidência da República, Eduardo Campos pelo PSB, em seu acidente fatal, ocorrido em agosto de 2014.

A PF suspeitava que parte dos recursos que transitaram nas contas de fachada do grupo servia para pagamento de propina a políticos e formação de caixa dois de empreiteiras.

Os empresários João Lyra, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira fecharam acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF), em 2017. Lyra era apontado pela PF como líder do esquema investigado pela na Operação Turbulência e responsável por entregar propina de empreiteiras a Campos.

A PF indicou que os colaboradores investigados pela operação na época confirmaram o pagamento de “vantagens indevidas” a autoridades públicas, entre 2012 e 2014. As operações foram realizadas por empreiteiras que estavam executando obras custeadas com recursos públicos, indica a PF.

Em denúncia contra alvos da Operação Turbulência, Bezerra é citado como “cliente” de um esquema de lavagem de dinheiro desviado dos cofres públicos. O grupo investigado teria movimentado mais de R$ 600 milhões desde 2010 e seria supostamente liderado pelo empresário João Carlos Lyra.

Entre os valores que foram lavados pela organização estariam recursos públicos federais desviados dos lotes 9 e 11 do eixo leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco, indica a peça da Procuradoria Geral da República (PGR) em Pernambuco, apresentada em agosto de 2016.

O senador, no entanto, não foi denunciado pela Turbulência. Como detentor de foro privilegiado, é investigado perante a PGR no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao todo, o senador é alvo de cinco inquéritos, dois deles por supostos crimes contra a lei de licitações quando era prefeito de Petrolina, dois do período em que era secretário estadual e um da época em que foi ministro.

O advogado André Callegari, que defende Fernando Bezerra e Fernando Coelho Filho divulgou nota sobre a operação desta quinta (18) e classificou os fatos revelados pela PF como “pretéritos”.

“Causa estranheza à defesa que medidas cautelares sejam decretadas em razão de fatos pretéritos que não guardam qualquer razão de contemporaneidade com o objeto da investigação A única justificativa do pedido seria em razão da atuação política e combativa do senador contra determinados interesses dos órgãos de persecução penal. A defesa ainda não teve acesso ao pedido e à decisão do ministro que autorizou as medidas, mas pode afirmar que as medidas são desnecessárias e extemporâneas”, diz a nota.

*Com informações do Estadão Conteúdo