Empresários, diretores escolares e servidores roubaram dinheiro da merenda, diz PF

  • Por Jovem Pan
  • 31/10/2017 09h33 - Atualizado em 31/10/2017 09h35
Agência BrasilCom o desvio, 52 escolas de Macapá ficaram sem os alimentos da agricultura familiar

A Polícia Federal, com a participação do Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado do Amapá, Controladoria-Geral da União e Tribunal de Contas da União, deflagrou na manhã desta terça-feira (31) a Operação Senhores da Fome, que investiga o desvio de recursos destinados à merenda escolar no Amapá.

A operação apura a atuação de empresários, diretores de escolas e servidores da Secretaria de Educação do Estado do Amapá no desvio de aproximadamente R$ 2 milhões destinados à merenda escolar de vários municípios do Estado. Com o desvio, pelo menos 52 escolas da capital amapaense ficaram sem os alimentos da agricultura familiar.

Estão sendo cumpridos 4 mandados de prisão temporária, 7 mandados de condução coercitiva e 18 mandados de busca e apreensão em Macapá. Cerca de 100 policiais federais participam da ação.

De acordo com as investigações, no início de 2016, vários diretores assinaram o termo de recebimento dos alimentos sem, entretanto, recebê-los. Algumas dessas entregas teriam sido feitas, inclusive, no período de férias escolares.

Os investigados irão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de peculato, associação criminosa e falsidade ideológica.

Operação semelhante

Em outubro do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Migalhas, que apontou que os responsáveis pela Caixa Escolar Professor Nilton Balieiro Machado, seus parentes e amigos usavam documentos falsos para justificar saques indevidos de recursos oriundos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

“O esquema funcionava assim: os cheques emitidos não eram nominativos, isto é, sem indicação dos beneficiários. Em seguida, eram tiradas cópias e inseridos os supostos fornecedores. Inclusive, essas cópias eram utilizadas para prestação de contas. No entanto, os cheques originais, após tais atos, recebiam os nomes de pessoas do grupo criminoso, que se dirigiam ao banco, sacavam os valores e depositavam em contas particulares”, informou o Ministério da Transparência. Quatro auditores da pasta colaboraram com as investigações.