PF envia celular de irmã de Aécio aos EUA para desbloquear aparelho

  • Por Jovem Pan
  • 18/03/2019 08h59
Agência EFEAndrea Neves, irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), foi presa em maio de 2017 na Operação Patmos, mas, atualmente, responde a processo em liberdade

A Polícia Federal (PF) enviou um celular de Andrea Neves, irmã do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) para os Estados Undios, para tentar acessar os dados do aparelho. O celular foi apreendido há um ano e dez meses e até agora a PF ainda não conseguiu desbloqueá-lo.

Andrea foi presa em 18 maio de 2017, na Operação Patmos, acusada de pedir propina a Joesley Batista, da J&F, no valor de R$ 2 milhões, em benefício de Aécio Neves. Ela e o irmão foram denunciados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em abril daquele ano. Atualmente, Andrea responde ao processo em liberdade.

No dia da operação Patmos, a Polícia Federal apreendeu dois iPhones e um iPad na casa de Andrea, em um condomínio de luxo em Brumadinho (MG). Dos três aparelhos, dois tiveram os dados extraído, mas um ainda está inacessível. Andrea não precisa passar a senha de seu celular para os investigadores, uma vez que não é obrigada a produzir provas contra ela mesma.

Em um dos relatórios abordando essa dificuldade, um delegado citou o bloqueio com “código de usuário com número de dígitos indeterminado”. Ele informou que os equipamentos disponíveis só conseguem desbloquear iPhones com sistema operacional até o iOS 7. Como o telefone da irmã de Aécio é posterior, iOS.3.1. o delegado escreveu que “impossibilitava, à época dos exames, o acesso ao conteúdo do aparelho sem que haja o fornecimento deste código de usuário”.

Para Evandro Lorens, da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, não existem celulares blindados. “O que pode tornar o acesso aos dados e a análise mais complexa é uma combinação de fatores, como as configurações de segurança, a complexidade das senhas, entre outros”, disse.

A posição de Andrea difere da adotada por seu primo, Frederico Pacheco. Alvo da mesma operação, ele entregou a senha do celular – o que a defesa ressaltou como “postura colaborativa”. O primo foi flagrado por ações controladas da PF recebendo dinheiro em espécie de um representante da J&F. O valor seria para Aécio. O deputado sempre negou a acusação e diz que pegou dinheiro empresado.

*Com informações do Estadão Conteúdo