PF investiga reforma sem contrato na piscina do Alvorada à época de Lula

  • Por Jovem Pan
  • 13/11/2016 09h24

Piscina de 50x18 metros é revestida por azulejos azul "brenand" e contaPiscina do Palácio do Alvorada - PR

A colocação de pisos de pedra em volta da piscina do Palácio da Alvorada, em Brasília, é investigada pela Polícia Federal, informa a Folha de S. Paulo.

A obra foi realizada sem contrato, segundo o jornal. A lei exige que reparos de pequeno porte como esse devem ser feitos por convite ou licitação pública simplificada. A falta de contrato, no entanto, é proibida.

A reforma teria tido a participação da empreiteira Odebrecht na época em que Luiz Inácio Lula da Silva era presidente e morava no Alvorada. A Operação Lava Jato investiga supostos benefícios da empreiteira ao ex-mandatário.

O jornal revela trocas de mensagens apreendidas no celular do dono da companhia, Marcelo Odebrecht, que indicam esse suposto favor.

Ele escreveu a Benedicto Barbosa Júnior em 1º de abril de 2008, presidente da construtora do grupo Odebrecht: “”Meu pai vai estar com o amigo hoje. O trabalho das pedras foi bem concluído? Qual ficou sendo a solução final?”. O “amigo”, suspeitam os investigadores, seria Lula. O pai de Marcelo é Emílio Odebrecht, que também fará parte dos depoentes da delação premiada que a empreiteira negocia com a força-tarefa da Lava Jato.

Outro e-mail, de março do mesmo ano, mostra a secretária de Marcelo dizendo Carlos Anisio Figueiredo, ex-executivo da Vale, hoje falecido, teria “”urgência em lhe falar sobre a colocação de granito na piscina em Brasília”.

Marcelo pediu, em resposta, para “Alinhar para não haver divulgação e qual a estratégia se houver (provável) vazamento na mídia”. E alertou: “lembre o rolo que foi a reforma do Planalto. Na época, pensei em ser mencionado como doação do pessoal de granito do Brasil para divulgar para visitantes do exterior.”

A PF vê uma “clara possibilidade” de os e-mails falarem sobre o mesmo assunto pela proximidade das datas, revela a Folha.