PMDB decide lançar candidatura à Presidência da Câmara

  • Por Estadão Conteúdo
  • 12/07/2016 13h28
Sessão solene em Comemoração ao Dia do Bombeiro Militar no plenário da Câmara

Maior bancada da Casa, o PMDB decidiu, na manhã desta segunda-feira (12), rachar com o chamado centrão e lançar uma candidatura própria. Um pouco antes do meio-dia, os parlamentares estavam reunidos para definir quem será o representante do partido. A disputa está entre Carlos Marun (MS), Osmar Serraglio (PR) e Marcelo Castro (PI).

Ex-ministro do governo da presidente afastada Dilma Rousseff, Castro seria visto como um dos favoritos, pois poderia conseguir o apoio do PT, PCdoB, Rede e PDT. 

Castro também conta com o apoio de parte da bancada que está insatisfeita com o governo do presidente em exercício Michel Temer. Um dos deputados do PMDB que já havia se inscrito na disputa pela presidência, Fábio Ramalho (MG), vai manter candidatura avulsa.

Maranhão

O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), lamentou, também na manhã de terça, que a base governista não tenha chegado ainda a um consenso em torno de apenas um candidato para disputar a presidência da Casa, “o ideal nem sempre nós temos, mas o bom senso vai prevalecer. A Casa precisa se reencontrar”, disse o deputado, ao chegar para participar da reunião da bancada do PP.

Maranhão não quis revelar se já escolheu seu candidato, limitando-se apenas a afirmar que vai votar. Para o político, esse é o momento da Câmara buscar um novo rumo. 

O deputado também fez um balanço sobre seus dois meses à frente da Casa, “tentei fazer o melhor. Compreendo a dinâmica do processo, respeito os adversários e acredito que a Casa vai encontrar seu rumo a partir de um entendimento amplo. É preciso que nós tenhamos paciência e prudência. O Brasil está no fundo do poço”, comentou.

Ministros dizem que Planalto não tem candidato preferido

Os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, reiteraram, também nesta terça (12), a disposição do Palácio do Planalto em não interferir no processo eleitoral da Câmara dos Deputados. Com isso, eles pretendem evitar maiores sequelas e abrir um racha na base, uma tentativa que pode ser frustrada pela decisão do PMDB de indicador um candidato à presidência da Casa.

“O governo trabalha com a ideia da base ter um candidato único. Nós estamos trabalhando para isso. A fórmula, eles (os partidos) têm. É possível construir”, declarou Padilha. O ministro reconhece as dificuldades de existir unidade na aposta em um nome para a presidência e salientou que “o governo não tem predileto e nem tem vedação a ninguém”. Instantes depois, o PMDB anunciava que Carlos Marun (MS), Osmar Serraglio (PR) e Marcelo Castro (PI) disputavam a indicação do partido para o posto.

“A expectativa inicial era de que o partido (PMDB) não lançasse nome. Mas, com todo mundo lançando (candidato)….”, afirmou, depois, Geddel, para quem haverá, “naturalmente”, um segundo turno no pleito.

Segundo o chefe da Casa-Civil, o presidente em exercício Michel Temer e todos os ministros do palácio e assessores do presidente estão trabalhando por um único nome, “nós queremos unidade. Se não for possível logo que se encerre a votação, que se tenha selada a unidade da base, independentemente de candidato”, prosseguiu, advertindo que o governo “não pode ter arranhão na base” porque há muitas matérias importantes a serem aprovadas no Congresso, “não podemos correr riscos”, acrescentou, ainda antes da indicação de um nome do PMDB.

O ministro Geddel, por sua vez, também falou das dificuldades de unir a base em torno de um único candidato,”a tendência é ter mais de um, mas a gente torce, até o final, para que se chegue a uma redução do número de candidatos”, ponderou, acrescentando que não acredita em racha na base governista. 

Para ele, passada a eleição, os problemas criados com as disputas serão superados. “Problema teria se houvesse intervenção do governo. Aí alguém poderia se queixar”, desabafou o ministro, insistindo que o governo não tem preferências de nomes. Ele pediu paciência para que se aguarde os resultados da votação. As declarações dos ministros foram dadas após apresentação da cartilha da Advocacia-Geral da União (AGU) com as “condutas vedadas aos agentes públicos federais em eleições – 2016”, no anexo do Planalto.