Política econômica é principal assunto no debate de candidatos à Presidência

  • Por Jovem Pan
  • 01/09/2014 19h47

O debate presidencial promovido pela Jovem Pan, Folha de S.Paulo, Uol e SBT foi marcado pelo ataque dos candidatos “nanicos” aos três favoritos nas pesquisas e a briga entre Dilma, Aécio e Marina Silva.

Logo no início, a atual presidente Dilma Rousseff teve a oportunidade de fazer o primeiro questionamento e se dirigiu à sua principal adversária: Marina Silva. A petista questionou sobre de onde ela vai tirar o dinheiro para cumprir suas “promessas”. Marina respondeu falando que “não são promessas, são compromissos”. A candidata do PSB afirmou que o Brasil precisa voltar a ter eficiência nos gastos públicos e que hoje há um grande desperdício de dinheiro. “Vamos fazer as escolhas corretas e não as erradas”, disse.

A presidente Dilma falou também que o seu governo investiu cerca de R$ 17 milhões em segurança pública e que pretende mudar a Constituição para que possa haver uma integração das Polícias Federais e de cada Estado. Aécio Neves (PSDB) afirmou que menos de 11% dos recursos do governo da atual presidente Dilma foram aprovados para a segurança pública.

Dilma ainda falou que a queda brasileira na economia é momentânea. De acordo com ela, não existe uma recessão, a inflação está próxima de 0%, a bolsa vem se valorizando e o Brasil está entre os cinco países que mais recebe investimentos externos.

Aécio Neves disse que o PSDB quer que os juros possam ser praticados pelo conjunto da economia. Segundo ele, existia uma proposta oficial do atual governo que fracassou, e isso é expresso na avaliação negativa de 79% da população brasileira sobre o atual governo federal. “A nossa, é uma mudança consistente”, contou o tucano.

Marina Silva afirmou que é preciso reconhecer os grandes históricos dos outros governos, que não ver isso é uma visão empobrecida do debate político, mas que a melhora na economia foi prejudicada pelo atual governo. “Nós reconhecemos que a estabilidade foi uma conquista da população que foi negligenciada pelo governo Dilma”, disse.

Um assunto bastante abordado pela presidente Dilma nas perguntas à Marina Silva, foi sobre o Pré-Sal. De acordo com a petista, esse é um dos maiores patrimônios do povo e o nosso passaporte para o futuro. “Ele está aí e deve ser explorado para que possamos ter uma educação, saúde, de muito mais qualidade. Isso, só o Pré-Sal, em termos de riqueza, pode dar ao Brasil. É mais de R$ 1 trilhão”, contou a presidente, que diz que Marina Silva “despreza” essa importante riqueza do país.

Marina Silva afirmou que, além do Pré-Sal, o Brasil também deve buscar novas energias, mas não está havendo um desdém do recurso. “(Pré-Sal) Uma riqueza necessária que deve ser explorado para que os seus recursos possam ser investidos em educação. Nós estamos reafirmando a necessidade de continuar explorando essa fonte de energia. No entanto, não podemos ficar apenas onde a bola está e ir para onde a bola vai estar. O mundo inteiro está na busca por novas energias”, disse a candidata do PSB.

A candidata petista voltou a citar o “pessimismo” de parte do povo brasileiro, como os que desejavam que a Copa fosse um fiasco, falou sobre o poder da CGU como um Ministério e outros assuntos já citados pela presidente em oportunidades anteriores.

Aécio Neves voltou a citar que, caso os políticos tucanos envolvidos em escândalos de corrupção sejam condenados, não serão tratados como heróis, como os petistas do caso do mensalão foram tratados por membros do partido. De acordo com o candidato do PSDB, todas as denúncias de corrupção, independentemente do partido, devem ser investigadas.

A atual presidente ressaltou, por diversas vezes, os investimentos em transporte, segurança, saúde e educação. Ao ser questionada no que errou durante o seu mandato, a petista fugiu da questão e preferiu citar o que acertou em seu governo.

“Nanicos”

Os candidatos com números menores nas pesquisas buscaram os ataques ao trio Aécio Neves, Dilma Rousseff e Marina Silva. Eduardo Jorge (PV) criticou o trabalho da atual presidente com relação aos presídios, afirmando que 40% dos presos brasileiros são provisórios e superlotam as cadeias, já que seus julgamentos demoram a ser concluídos.

Jorge disse ainda que não concorda com o controle da inflação feito pela taxa Selic. De acordo com o candidato do PV, o objetivo é reduzir a taxa até a inflação chegar em um nível civilizado de outros países. Para ele, é preciso redistribuir o dinheiro para a economia brasileira voltar a crescer.

Levy Fidélix ainda esbravejou contra o repórter do SBT, Kennedy Alencar, e duvidou dos números das pesquisas eleitorais. “Essa mídia que coloca a gente lá embaixo. (…) Isso é uma injustiça que vocês cometem conosco”, atacou o candidato.

Sobre o seu plano de governo, Levy Fidélix falou que pretende fazer um investimento maior em segurança pública, considerou um absurdo um policial ganhar “pouco mais de R$ 1 mil” e que é necessário, acima de tudo, combater o narcotráfico. Na economia, Fidélix criticou as altas dívidas dos bancos, afirmando que, com elas, não sobra dinheiro para investimentos.

Luciana Genro (PSOL) aproveitou, em praticamente todas as oportunidades, para criticar Aécio, Dilma e Marina. Ela criticou a proposta do PSDB para os aposentados, disse que o trio privilegia os interesses dos bancos e dos milionários ao invés do povo.

A candidata disse ainda que a saúde no Brasil não recebe, sequer, 5% do orçamento do Brasil e a segurança recebe 0,5%. “O PSOL defende uma auditoria da dívida pública”, afirmou Luciana, que disse que os três só querem voto para vencer a eleição e governar como os outros que já passaram pela Presidência.

O pastor Everaldo voltou a afirmar que não é a favor do aborto e nem do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O candidato do PSC reafirmou, por várias vezes em seu discurso, que pretendo governar para a “família brasileira”. De acordo com ele, o seu governo pretende fazer uma força-tarefa de envolver todas as polícias e fazer com que elas se comuniquem, algo que não acontece atualmente, na sua visão, e prejudica a segurança pública. “Hoje, o cidadão está preso em casa e o delinquente está solto na rua”, contou.

O candidato do PSC falou ainda sobre uma acusação que recebeu de violência doméstica. O pastor teria agredido uma mulher, o que foi prontamente negado por ele. “O TJ considerou totalmente improcedente essas afirmativas. Hoje sou bem casado. Eu nunca agredi uma mulher. Minha política é sempre a favor da família”, afirmou.