Em posse no TSE, Barroso exalta democracia e critica ‘milícias digitais’

  • Por Jovem Pan
  • 25/05/2020 20h40 - Atualizado em 26/05/2020 08h09
Roberto Jayme/ Ascom/TSEMinistro Luís Roberto Barroso

Ao tomar posse, o novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, destacou, nesta segunda-feira (25) a importância da democracia e rebateu ataques contra o Supremo Tribunal Federal (STF), alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

Barroso também defendeu a importância da participação feminina na política e fez duras críticas ao que chamou de “milícias digitais” que disseminam fake news nas eleições. Bolsonaro acompanhou a cerimônia de posse por videoconferência, mas, como é de praxe neste caso, não discursou.

Barroso relembrou que um dos principais legados de sua geração é ter um país “sem presos políticos, sem exilados, sem violência contra os adversários”. Ele fez referência aos crimes cometidos durante a ditadura militar.

“Como qualquer instituição em uma democracia, o Supremo está sujeito à crítica pública e deve estar aberto ao sentimento da sociedade. Cabe lembrar, porém, que o ataque destrutivo às instituições, a pretexto de salvá-las, depurá-las ou expurgá-las, já nos trouxe duas longas ditaduras na República. São feridas profundas na nossa história, que ninguém há de querer reabrir”, afirmou Barroso nesta segunda.

Na semana passada, os vídeos da reunião ministerial de 22 de abril mostraram o presidente Jair Bolsonaro falando em armar a população para impedir uma suposta ditadura no Brasil. Nesta segunda, sem citar Bolsonaro diretamente, Barroso falou que “precisamos armar o povo com educação, cultura e ciência”.

“A educação, mais que tudo, não pode ser capturada pela mediocridade, pela grosseria e por visões pré-iluministas do mundo. Precisamos armar o povo com educação, cultura e ciência”, declarou o presidente do TSE e ministro do STF.

Barroso também falou sobre a necessidade de encontrarmos “denominadores comuns e patrióticos”. “Pontes, e não muros. Diálogo, em vez de confronto. Razão pública no lugar das paixões extremadas”, defendeu. “Quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, mas meu parceiro na construção de um mundo plural. A democracia tem lugar para conservadores, liberais e progressistas. Nela só não há lugar para a intolerância, a desonestidade e a violência.”

Ao falar sobre as “milícias digitais”, Barroso os classificou como “terroristas virtuais que utilizam como tática a violência de ideias, e não o debate construtivo. A Justiça Eleitoral deve enfrentar esses desvios”, disse.

Com um discurso sobre a importância da equidade de gênero na política, Barroso também enalteceu a condução bem sucedida de mulheres na liderança de países que se tornaram referência no combate ao novo coronavírus. Barroso citou como exemplo a premiê Angela Merkel, da Alemanha, e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern.

O Brasil tem sido criticado internacionalmente pela condução no combate à Covid-19. Esta semana, o País chegou ao segundo lugar entre os que mais possuem casos confirmados da doença (são mais de 360 mil diagnósticos), ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

*Com informações do Estadão Conteúdo