Precisamos que Geddel continue no governo, diz Maia

  • Por Tiago Muniz/Jovem Pan
  • 22/11/2016 11h30
Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante entrevista à imprensa no Salão Verde (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM)

O presidente da Câmara dos Deputados diz que Geddel Vieira Lima tem apoio e confiança da Casa. Rodrigo Maia (DEM-RJ) deu a declaração depois de fazer uma palestra a investidores do mercado financeiro na manhã desta terça-feira (22) em São Paulo.

O parlamentar se diz convencido de que o ministro tem as condições para continuar exercendo a missão dele. Maia não poupou elogios à capacidade de articulação política do ministro-chefe da Secretaria de Governo, acusado de ter pressionado colega de Esplanada por interesse particular.

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“O ministro Geddel tem o apoio do parlamento, a confiança do parlamento. Ele tem exercido um papel fundamental para o governo na articulação política. Nós precisamos que o ministro Geddel continue no governo com a certeza que esse papel que ele exerce foi vital na vitória da PEC do Teto e será fundamental na nossa vitória da reforma da previdência”, afirmou Maia, que diz ter ouvido principalmente apoio ao ministro durante suas converas com outros parlamentares.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo está sendo investigado pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República por suspeita de ter tentado praticar tráfico de influência.

De acordo com o ex-ministro da cultura Marcelo Calero, Geddel teria tentado interferir junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que o órgão aprovasse a construção de um prédio em Salvador. Geddel estaria especialmente interessado no edifício porque ele comprou um apartamento no empreendimento; o ministro-chefe da Secretaria de Governo nega ter pressionado Calero.

Medidas anti-corrupção

Rodrigo Maia não descarta a possibilidade de votação simbólica para as medidas contra a corrupção e diz que essa é uma responsabilidade de cada partido perante os eleitores. A comissão especial da casa que analisa as medidas deve votar hoje o pacote e o próximo passo é a votação em plenário.

O jornal Folha de S.Paulo noticiou nesta terça-feira que existe uma articulação para que essa legislação seja analisada de maneira simbólica pelo plenário e não nominal. Com isso, é impossível saber como cada parlamentar votaria, o que pode abrir caminho para a aprovação de medidas de anistia a alvos da Lava-Jato.

O presidente da Câmara não descarta que isso possa acontecer e joga a bola no colo dos partidos e dos parlamentares. “O importante é a gente votar na comissão e votar no plenário. E da forma como votar, cada líder, cada partido assuma a responsabilidade sobre o texto que está aprovando. Porque cada um vai responder aos seus eleitores”.

O pacote de medidas contra a corrupção apoiado pelo Ministério Público Federal pede, entre outras coisas, o endurecimento de penas e maior eficiência dos recursos no processo penal. Há a possibilidade de que parlamentares coloquem no meio do projeto uma anistia aos chamados crimes de caixa dois eleitorial que tenham sido cometidos até hoje sem que eles sejam enquadrados como corrupção ou lavagem de dinheiro.