Prefeito de Mariana pede mais atenção do poder público a Brumadinho: ‘Nós não tivemos apoio’

  • Por Victoria Abel
  • 26/01/2019 17h16
Rogério Alves / TV SenadoImagem de arquivo de 2015 do rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco em Mariana

Em novembro de 2015, o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco em Mariana, Minas Gerais, causou um dos maiores desastres ambientais da nossa história. E a tragédia não se limitou àquele dia: nas semanas, meses e anos seguintes, a cidade passou por sérios problemas em seu orçamento e não conseguiu recuperar a qualidade de vida das comunidades afetadas. Esse é o principal alerta que Duarte Junior, prefeito de Mariana, faz às autoridades em relação a Brumadinho, município que foi alvo de mais um mar de lama nesta sexta (25).

“Eu posso afirmar com toda a convicção que esse é o primeiro tempo de uma grande tragédia e que vão aparecer ainda outras possibilidades de tragédia. Se o poder público não estiver próximo do governo municipal, a tendência é piorar. Nesse primeiro momento, claro, atenção total às vítimas. Mas, no segundo, a receita vai cair, vai ter que ter atenção à saúde, pagamento de servidores, transporte… A tendência é que Brumadinho passe por um momento difícil. Tem que contar com apoio dos governos federal e estadual. Em Mariana isso não aconteceu. Eles estiveram presentes, prometeram muita coisa, mas perdemos muito em receita e não tivemos apoio posterior”, denunciou.

Na ocasião, a então presidente Dilma Rousseff (PT) foi criticada até mesmo pela demora em visitar a região atingida. Ela levou cerca de uma semana para sobrevoar a área afetada com a então ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e conversar com as autoridades locais.

Duarte conversou com a reportagem da Jovem Pan neste sábado (26) em Brumadinho, onde fez questão de ir, segundo suas palavras, para “prestar solidariedade”.

“A gente veio trazer uma demonstração de respeito, carinho com a cidade. Por tudo que Mariana passou, a gente precisa estar presente. A gente viveu algo muito parecido. Mariana teve um dano maior ambiental, aqui tem um prejuízo maior. A população está machucada. O número de vítimas aumenta, isso é muito triste. As pessoas procuram resposta, elas não chegam. Há a possibilidade de estarmos vivendo a maior tragédia do Brasil em perda de vidas”, completou.