Prefeitura decide fechar centro de saúde que atende 110 mil pessoas em São Paulo

  • Por Izilda Alves/Jovem Pan
  • 21/09/2017 21h44 - Atualizado em 21/09/2017 22h28
Divulgação/USPO centro é referência no tratamento de hanseníase, doenças sexualmente transmissíveis, tuberculose e câncer de pele em São Paulo

A prefeitura vai fechar o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, que atende 110 mil pessoas na cidade de São Paulo. O secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, informou em reunião realizada nesta quinta-feira (21) que vai romper o convênio que deveria ser por cinco anos. O centro é referência no tratamento de hanseníase, doenças sexualmente transmissíveis, tuberculose e câncer de pele em São Paulo.

Um em cada quatro pacientes atendidos é idoso, que não terá onde ser atendido na rede pública de saúde da cidade de São Paulo. O centro de saúde, que é referência em tratamento e também treina estudantes de 25 faculdades de medicina e enfermagem do Estado, custa por mês R$350 mil reais. Mas a Prefeitura decidiu romper o convênio imediatamente, o que significa demissão de 47 profissionais, segundo o diretor técnico do Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, Paulo Gallo, em entrevista exclusiva à Jovem Pan.

“Esses profissionais estão em vários setores dos Centros de Saúde. Eles respondem pela área de saúde da mulher, pela saúde da criança e pelo próprio escritório de vacinação, pelo atendimento a pessoa idosa com dificuldade. Abre a farmácia do Centro de Saúde, abre também a toda área ligada a saúde da mulher, de ginecologia e obstetrícia. O Centro de Saúde é responsável por uma área de 110 mil moradores que estão implicados na não renovação do convênio”, contou Gallo.

“A nossa área tem a maior concentração proporcional de idosos no município. Temos índices acima de 26% da população acima de 60 anos de idade, é a maior área. Desses, algo em torno de 25 mil idosos são idosos com algum grau de dificuldade maior e não têm aonde ir. Somos campo de estágio para muitas residências da própria prefeitura, como pediatria, como práticas integrativas e na área de saúde mental que é usada há muitos anos como aperfeiçoamento no campo da psicologia e da saúde mental como um todo”, completou.

O número de casos de hanseníase vem aumentando com a chegada de imigrantes, de acordo com o diretor. O centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza é o único na rede pública a tratar hanseaníase, também chamada lepra.