Presidente da CPI da Petrobras diz que não vai processar deputado que o chamou de “moleque”

  • Por Jovem Pan - Brasília
  • 05/03/2015 15h51
Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados Hugo Motta (PMDB)

Em entrevista exclusiva ao repórter Jovem Pan em Brasília José Maria Trindade, o presidente da CPI da Petrobras Hugo Motta (PMDB-PB) disse que não processará Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), que, durante discussão acalorada na comissão, o chamou de “moleque”.

“Não vou perder meu tempo indo ao Conselho de Ética para pedir um indiciamentou ou processar o deputado que assim me classificou”, afirmou. Motta disse que “ele (Rodrigues) foi infeliz ao fazer essa colocação”, mas garantiu que isso não o abala. “A mim isso é irrelevante.”

Motta afirmou que sabia aquilo que enfrentaria quando assumiu a presidência da comissão que investiga participação de parlamentares nos escândalos de corrupção que envolvem a Petrobras, também apurados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

“Sabemos que o grau de pressão na Comissão Parlamentar de Inquérito é sempre um grau de pressão muito alto”, considerou. “Eu sou um democrata por ideologia e admiro nesse momento esse espírito de discussão que termina com a investigação propriamente dita, que é o que nós queremos”, disse.

  • Ouça a discussão a partir do terceiro minuto do áudio: 

O bate-boca “em nada me abala”, garantiu o deputado. “Estou preparado para enfrentar momentos como esse.”

“Sem pressão”

Motta fez questão também de posicionar-se como um líder independente, que não se deixaria levar por influências.

A discussão desta quinta na CPI foi motivada pela decisão de Motta de nomear quatro sub-relatores para a comissão. Desse modo, perde poder o relator petista Luiz Sérgio. Vários deputados do PT e da base aliada, inclusive o paulista Ivan Valente, se irritaram com a manobra e esquentaram a discussão.

“Não abrirei mão de exercer minha autoridade, não abrirei mão de fazer aquilo que é correto”, afirmou Motta. “Eu não admitirei que a nossa posição sofra interferência por pressão de quem quer que seja”, garantiu.

“Eu agora só tenho uma função, que é fazer a CPI funcionar”, concluiu.