Preso na Operação Lava Jato, ex-presidente da Estre paga fiança de R$ 6,8 milhões e será solto

  • Por Jovem Pan
  • 09/02/2019 10h32
Reprodução/FacebookA Estre é uma empresa de limpeza urbana e de resíduos industriais

Preso em uma das fases da Operação Lava Jato, o ex-presidente da Estre Ambiental, Wilson Quintella, depositou R$ 6,8 milhões de fiança e vai deixar a cadeia. Ele já confessou ter repassado propinas de R$ 22 milhões ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Os valores seriam direcionado ao MDB como fora de “apoio político”.

A juíza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), Gabriela Hardt, já expediu o alvará de soltura de Quintella. Apesar de livre, entretanto, ele não poderá entrar em contato com outros investigados no caso nem mudar de endereço, tendo que entregar o passaporte a justiça. A Operação Quinto Ano, que o prendeu, investiga desvios de R$ 682 milhões da Petrobras entre 2008 e 2014.

De acordo com o advogado Pierpaolo Bottini, o executivo “informa que seu irmão, Fernando Augusto Rehder Quintella, obteve empréstimo bancário para fazer frente à fiança, a fim de que possa ser colocado em liberdade imediatamente”. A defesa pediu “urgência” para evitar que o executivo passasse “o final de semana preso sem necessidade”.

Operação Quinto Ano

Quintella foi alvo da Operação Quinto Ano, em janeiro, que mira repasses ilegais de R$ 22 milhões em contratos que comam R$ 682 milhões na Transpetro entre 2008 e 2014. A assessoria da empresa – que presta serviços de limpeza urbana e resíduos industriais – informou que ele é atualmente acionista do grupo e ex-presidente da Estre Ambiental.

Além do executivo, estão detidos o advogado Mauro de Morais e um ex-funcionário da Estre, Antonio Kanji. Eles são suspeitos de fazer operações de lavagem de dinheiro da propina. A Receita Federal conseguiu rastrear mais de R$ 20 milhões no escritório de Morais, que teria feito saques pouco abaixo de R$ 100 mil para transações de R$ 9,5 milhões.

Com esses saquem parcelados, ele tentava impedir que as movimentações atípicas chegassem ao conhecimento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As investigações tiveram como ponto de partida a delação premiada de Sérgio Machado, que afirmou ter recebido propinas das Estre para repassar a grupo político no MDB.

Apoio político

De acordo com o dono da Estre, Machado havia solicitado pagamento a título de “contribuição”,” doação” ou “apoio político”. Wilson Quintella afirma que “isso ocorreu logo no início da gestão dele na Transpetro e que ele disse que tinha demandas para manter o próprio apoio institucional, pelo que necessitava de apoio financeiro”.

O executivo ainda alega que Machado “disse que precisava desse apoio financeiro de um grupo seleto de pessoas de confiança” e que “gostaria de contar com o apoio financeiro das empresas” de Quintella “em montantes entre 1,5 a 3%, ou mesmo até 4%”. O percentual seria parte do valor de contratos nos quais a empresa seria beneficiada.

O dono da Estre afirmou que “em momento algum solicitou pagar qualquer quantia e nem obteve vantagens para empresas, inclusive nunca teve aditivo financeiro aprovado nem problemas para receber valores devidos pelos contratos”. Contudo, indica que “aceitou sem imposição de qualquer condição” as propostas de Sérgio Machado.

Quintella ainda admitiu que usou Kanji para viabilizar o pagamento de propinas. O ex-funcionário, porém, preferiu ficar calado diante das autoridades. Já Mauro de Morais, segundo os autos, alegou que “os valores sacados eram divididos em partes iguais entre ele e Kanji, que o havia procurado em 2011 para a elaboração de pareceres na área ambiental”.

O advogado afina afirmou que “tratou dos pareceres somente com Antonio Kanji Hoshikawa, nunca tendo conversado com representantes das contratantes” – empresas do Grupo Estre. Morais alegou “não possuir registro da prestação dos serviços” e “atribui a ausência de registros a problema técnico que teve em seu computador no ano de 2016”.

*Com informações do Estadão Conteúdo