Primeiro mês de volta às aulas no Estado de SP tem mais de 2 mil alunos infectados com Covid-19

Secretaria de Educação contabilizou 3.668 notificações positivos de Covid-19 na rede pública e privada no período de 2 a 31 de agosto

  • Por Júlia Vieira
  • 18/09/2021 10h00
DENNY CESARE/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO - 02/08/2021 -Especialista defende que o caminho para a diminuição do contágio entre alunos é manter o monitoramento de casos suspeitos

A Secretaria de Educação de São Paulo contabilizou 3.668 casos positivos de Covid-19 na rede pública e privada durante o primeiro mês de volta às aulas presenciais com 100% da capacidade liberada. Segundo a pasta, o Sistema de Informação e Monitoramento da Educação (Simed), uma ferramenta desenvolvida para facilitar o monitoramento dos casos da doença, recebeu 8.290 notificações no período de 2 a 31 de agosto. Desse total, 2.303 foram descartados; 80 foram inconclusivos; e 2.239 estão em investigação. Considerando apenas os casos positivos, foram 3.668 notificações, sendo 2.873 de alunos, 735 de funcionários e 60 de trabalhadores terceirizados. Luiza, de 16 anos, foi uma adolescente que entrou na estatística. Estudante de uma escola particular em Campinas, interior de São Paulo, ela contraiu Covid-19 ainda na primeira quinzena de agosto. Sua mãe, Ana Maria, conta que, antes da filha ser contaminada, outra turma já havia sido suspensa em virtude de um surto na sala de aula. “Ela voltou às aulas dia 2 de agosto e, a partir daquele dia, a aula seria presencial direto. Ela ficou duas semanas [indo presencial]. Na primeira semana, ela me informou que a outra sala tinha tido casos de Covid-19 e que a turma inteira tinha sido dispensada. Ela continuou a frequentar a escola e, na sexta-feira da semana seguinte, ela veio da escola e já informou que teve um caso confirmado na sala dela”, conta Ana Maria. Com a confirmação de um caso na sala, todos os outros alunos foram dispensados. Já no dia seguinte, Luiza teve os primeiros sintomas.

A estudante começou a se queixar de dor de garganta e no domingo, dia 16, amanheceu com febre. “A gente foi orientado por um médico amigo da família a esperar os três dias para ver a evolução e, caso ela tivesse algum sintoma grave, socorrer. Se não, aguardar, porque o exame poderia dar um falso negativo. Então a gente aguardou. Ela fez o exame dia 18, já estava melhor, mas mesmo assim recebemos o resultado positivo”, relata a mãe. Ana Maria disse que a escola foi informada do caso de Luiza ainda no domingo. A instituição recomendou que os familiares comunicassem a escola sobre o andamento do caso. Quando informado sobre o resultado positivo, o colégio solicitou uma cópia do exame para ser anexada no arquivo da aluna. “Os outros casos também foram dispensados das aulas. A gente não ficou sabendo a identidade dos alunos em nenhum momento. Deixaram bem claro que eles não poderiam divulgar para não gerar constrangimento nos estudantes”, disse. Luiza só voltou a frequentar a escola na última semana, no dia 12 de setembro. Nem os pais nem o irmão da estudante apresentaram sintomas da doença, mas todos ficaram isolados durante o período.

Sindicato de professores indica subnotificação de casos na rede estadual

Apenas a rede pública estadual recebeu 4.519 notificações no Simed. Deste total, 1.541 foram descartados; 69 inconclusivos; e 1.161 em investigação. Dos 1.748 casos positivos, 1.040 foram de alunos. O restante das notificações está dividido entre funcionários (651) e trabalhadores terceirizados (57). Apesar do alto número de casos, o infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo João Prats considera baixo o número de casos no total, tendo em vista que a rede estadual é formada por cerca de 3,5 milhões de estudantes. “O denominador é importante. Tem mais de três milhões de alunos na rede estadual, isso sem contar o número de colaboradores relacionados ao funcionamento das escolas em diversos níveis”, aponta o médico. Para ele, a queda no número de casos e o avanço da vacinação contra a Covid-19 no Estado já indicavam previamente que a quantidade de casos positivos não seria alta. “Não se esperava um número enorme de casos, principalmente porque as infecções estão diminuindo bastante e a população em está, em sua vasta maioria, vacinada, ainda mais no Estado de São Paulo”, lembra Prats.

O infectologista considera um bom sinal as 4.519 notificações recebidas no Simed. De acordo com ele, isso mostra que o monitoramento está sendo realizado e que a rede estadual está sensível a qualquer sinal que possa indicar uma infecção pelo coronavírus entre os estudantes e funcionários. “Isso faz parte mesmo, porque, em geral, quando recomeça alguma atividade, a tolerância é muito baixa. Ou seja, qualquer suspeita é justificativa suficiente para afastar a pessoa do ambiente. A coisa mais importante é identificar, isolar e fazer a triagem desses casos suspeitos. Se isso está sendo bem feito, a gente vai ter um viés de aumento dessas notificações, porque estaremos mais sensíveis aos sinais”, explica Prats. “A minha análise, a princípio, é que como São Paulo tem uma alta taxa da população vacinada e o denominador para essa equação é muito grande, o número de casos não foi tão alto. Para mim, isso mostra que a rede estadual está se preocupando bastante com casos suspeitos e fazendo seu trabalho”, avalia. Para que os números continuem baixos, o infectologista defende a manutenção do monitoramento e afastamento de qualquer caso minimamente suspeito.

Os números apresentados pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), que realiza um levantamento próprio a partir de informações de 94 subsedes, no entanto, é maior do que o divulgado pelo governo do Estado. Na primeira quinzena de agosto, o APEOESP registrou 2.745 casos; no último levantamento, publicado na segunda-feira, 13, foram informados 2.871 casos, um crescimento de 126 casos. No período, houve uma morte comunicada ao sindicato. Em vista dos dados apresentados pelo levantamento, o sindicato acredita que os casos de Covid-19 estão sendo subnotificados pela rede estadual. “Não temos acesso aos números do governo, mas acreditamos serem subnotificados”, afirmou o sindicato em nota à Jovem Pan. O APEOESP ainda argumenta que as escolas estaduais “não têm condições físicas para manter os protocolos sanitários” exigidos.