Prisão de Bernardo é ‘fato doloroso’, diz Temer

  • Por Estadão Conteúdo
  • 24/06/2016 10h31
Brasília - O Presidente interino Michel Temer faz pronunciamento no Palácio do Planalto ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)Michel Temer Fotos Públicas - AGBR - caretas

O presidente em exercício Michel Temer afirmou, nesta sexta-feira (24), em entrevista exclusiva à Rádio Estadão, que lamenta o contexto da prisão de Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. 

O político petista, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), integrante da chamada tropa de choque de Dilma na comissão do impeachment no Senado Federal, foi preso, na manhã da passada quinta-feira (23), em Brasília, no âmbito da operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato.

“Vi a declaração de Gleisi de que ele (Paulo Bernardo) foi detido na frente dos filhos. É um fato doloroso e eu quero lamentar publicamente a prisão dele”, ponderou Temer, concluindo, “de qualquer maneira, é preciso prestar obediência às decisões (judiciais)”.

Questionado sobre o fato de a ação da Polícia Federal ter sido autorizado por um juiz de primeiro grau e não pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente defendeu a manutenção da harmonia entre os Poderes Legislativo e Judiciário, “é preciso prestar muita obediência a este princípio”, alertou, complementando que a desarmonia é inconstitucional.

Paulo Bernardo é investigado por suposta coordenação de esquema de corrupção no Ministério do Planejamento que teria desviado, entre os anos de 2010 e 2015, R$ 100 milhões de estatais e prestadoras de serviços.

Brexit

Temer também abordou a saída britânica da União Europeia ressaltando que o governo interino vai avaliar eventuais impactos econômicos que a decisão possa provocar. Ao governo brasileiro, contudo, não caberá discutir o resultado político da consulta, encerrada na manhã desta sexta-feira (24), pelo horário londrino. “Nós não vamos discutir a decisão da Grã-Bretanha do ponto de vista político. Do ponto de vista econômico, vamos esperar que ese fato se consolide efetivamente para, depois, medirmos, em um segundo momento, qual impacto ela terá para o Brasil”, vincou.

Em plebiscito, realizado entre a última quinta-feira e esta sexta, 51,9% dos eleitores britânicos decidiram por sair do bloco europeu, no chamado “Brexit”. O resultado apurado contrariou as previsões de pesquisas de intenção de voto mais recentes, que apontavam perspectiva de vitória do grupo pró-Europa.

O chefe do Executivo reforçou que a posição do Brasil em a Londres está alinhada com a nova postura do Itamaraty, liderado pelo chanceler José Serra, “nossa ideia é universalizar as ações da diplomacia do Brasil sem nenhum outro critério que não seja a soberania de um determinado país. A meu ver, critérios ideológicos são impensáveis”, pontuou, em tom de neutralidade quanto ao resultado da consulta britânica.

Sobre a atuação do Mercosul, Temer analisou que Serra está no caminho de equacionar as relações com o bloco econômico sul-americano, “é preciso dar uma diretriz mais segura às negociações com o Mercosul também do ponto de vista ideológico”, finaliza.