Prisão de Lula “prejudica imagem do Brasil”, diz Gilmar Mendes

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2018 10h04 - Atualizado em 03/04/2018 10h05
BRUNO SPADA/TRIPÉ IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO"É claro que ter um ex-Presidente da República, um 'asset' como Lula agora condenado, sem dúvida que é muito ruim para a imagem do Brasil", disse o ministro. "Mas a longo prazo isto parece-me um fortalecimento do próprio modelo institucional brasileiro"

Em Lisboa, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse que eventual prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é “mau para a imagem do Brasil”, mas poderia ser positiva “a longo prazo”.

Mendes, que participa de fórum jurídico na capital de Portugal, retorna ainda nesta terça (3) ao Brasil. Nesta quarta (4) o STF julga um habeas corpus preventivo de Lula, condenado em 2ª instância no caso tríplex da Lava Jato. Caso o recurso seja negado, o petista pode ser detido.

“Sem dúvida nenhuma (a prisão de Lula) prejudica a imagem do Brasil. Mas se nós olharmos a curto, médio e longo prazos, acho que isto é positivo. Temos um quadro de corrupção que está a ser combatido”, disse Mendes à Agência Lusa.

“Conversando com colegas portugueses e espanhóis, eles dizem-me: ‘o Brasil está a fazer o seu dever de casa, porque está a cumprir o com o dever de combater a corrupção'”, afirmou Gilmar Mendes, que é visto no Brasil como um dos maiores adversários das teses jurídicas dos membros da Lava Jato.

“Na semana passada, estive na OCDE (Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Económico) e lá se falava sobre isso. O Brasil tem cumprido os seus compromissos internacionais de combate à corrupção”, elogiou o ministro em Portugal.

“Mas é claro que ter um ex-Presidente da República, um ‘asset’ como Lula agora condenado, sem dúvida que é muito ruim para a imagem do Brasil. E neste ponto concordo, é um elemento negativo. Mas a longo prazo isto parece-me um fortalecimento do próprio modelo institucional brasileiro”, concluiu Gilmar Mendes.

Apesar de comentar a consequência do julgamento, o ministro do STF preferiu não analisar o habeas corpus em si. “Se indeferir, aí o presidente (Lula) terá de se submeter à prisão provisória. O importante é que seja decidido”, declarou Mendes, em Lisboa.