Prisão de Sérgio Nahas: entenda como esposa foi assassinada em SP

Assassino foi detido no último sábado (17) no litoral da Bahia; criminoso foi identificado por um sistema de reconhecimento facial da PM

  • Por Nícolas Robert
  • 22/01/2026 13h54 - Atualizado em 22/01/2026 14h15
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Reprovação / TV Bahia Sérgio Nahas e Fernanda Orfali Fernanda Orfali e Sérgio Nahas

O empresário Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no último sábado (17) em Praia do Forte, no litoral norte da Bahia. Condenado pelo assassinato de sua esposa, Fernanda Orfali, ele foi identificado por um sistema de reconhecimento facial da Polícia Militar enquanto caminhava pela região turística (veja o vídeo abaixo). O empresário estava foragido e com o nome na lista de procurados da Interpol, após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar seu último recurso e determinar o cumprimento imediato da pena de oito anos e dois meses em regime fechado.

Sérgio Nahas era casado com Fernanda Orfali. O casal residia em um apartamento de alto padrão na Rua Brasílio Machado, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Segundo consta nos autos do processo, o casamento havia ocorrido poucos meses antes do crime.

Documentos do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) relatam que, logo após a formalização da união, Fernanda descobriu que Sérgio era usuário de drogas (cocaína), fato que teria sido ocultado pela família dele antes do casamento. Além do consumo de entorpecentes, a acusação aponta que Fernanda teria descoberto que o marido mantinha uma vida promíscua.

Relato do crime

O crime ocorreu no dia 14 de setembro de 2002, um sábado, por volta das 19h00. De acordo com a denúncia do MP-SP, o casal vivia um clima de tensão e Fernanda manifestava a intenção de se separar, o que teria motivado a ira de Sérgio.

A acusação narra que, na data do fato, após discussões que duraram dias, Sérgio Nahas teria efetuado um disparo de arma de fogo contra a esposa dentro do quarto do casal. O laudo necroscópico citado no processo indica que o tiro atingiu o tórax da vítima, causando lesões que a levaram à morte.

Segundo o Ministério Público, o crime foi cometido por “motivo torpe” (vingança), em razão de a vítima ter descoberto o comportamento do marido e decidido pela separação. Inicialmente, a denúncia também apontou que o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, alegando que ela teria sido trancada e subjugada no apartamento, embora recursos posteriores tenham debatido a validade desta qualificadora específica.

Tese de suicídio

Durante o processo, a defesa de Sérgio Nahas negou a autoria do crime. Em interrogatório, o réu sustentou que Fernanda Orfali teria cometido suicídio. A defesa alegou que a vítima passava por instabilidade emocional e depressão. Relatos incluídos no processo descrevem que, horas antes da morte, houve uma briga onde Sérgio teria desarmado Fernanda, que portava uma pistola Glock calibre 380. A defesa argumentou que o disparo fatal, ocorrido posteriormente, seria um ato da própria vítima.

Contudo, a decisão de pronúncia (que manda o réu a Júri Popular) citou laudos periciais que contestavam a versão de suicídio. A perícia técnica apontou que as características do tiro não eram compatíveis com um “tiro encostado” (comum em suicídios), mas sim realizado a uma certa distância, o que reforçou os indícios de homicídio.

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