Procurador e advogado: quem são os dois primeiros ouvidos pela CPMI

  • Por Jovem Pan
  • 25/09/2017 12h09
Ângelo Goulart Villela e Willer Tomaz foram fotografados por Joesley Batista em jantar na casa do advogado, que teria recebido informações das investigações

Na próxima quarta-feira a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS se reúne para ouvir os dois primeiros depoimentos requeridos e votados na última semana.

Serão ouvidos o procurador da República Ângelo Goulart Villela e o do advogado do grupo J&F Willer Tomaz de Souza.

Ângelo Goulart Villela deu entrevista recente à Folha de S. Paulo em que acusa Janot de tentar derrubar o presidente Temer e barrar Raquel Dodge. Ele foi preso durante a Operação Patmos e denunciado por corrupção passiva, violação do sigilo funcional (vazar informações à JBS) e obstrução da Justiça.

Villela é ex-integrante da força-tarefa da Operação Greenfield, que investiga fraudes em fundos de pensão, entre os quais investimentos do Petros, dos funcionários da Petrobras, e Funcef, dos empregados da Caixa Econômica Federal, em uma empresa de celulose controlada pelo grupo J&F, a Eldorado.

O procurador foi preso em maio, acusado de receber uma mesada de R$ 50 mil para passar informações sobre as investigações ao advogado Willer Souza, também preso na época.

Ambos, o advogado e o procurador, foram gravados por Joesley Batista na delação premiada da JBS, contestada pela CPMI. Em jantar, eles teriam trocado informações sobre as investigações das quais Ângelo participava. Os dois foram soltos da cadeia pelo Supremo Tribunal Federal em 1º de agosto.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que votou contra a convocação de Goulart, disse que ele já é investigado pelo Ministério Público e poderia usar a CPMI como “estratégia de defesa contra as graves acusações que pesam contra ele”.

Já o advogado Willer Tomaz de Souza foi convocado por unanimidade. O deputado Wadih Damous (PT-RJ) ressaltou, no entanto: “Concordo com a convocação do advogado, desde que isso não tenha relação a qualquer ataque a prerrogativas da profissão”.

Requerimentos

A CPMI se reúne nesta terça-feira (26) para votar requerimentos que envolvem informações relativas a dados sigilosos, como empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e movimentações financeiras, bancárias e telefônicas de suspeitos. Estes pedidos precisam ser votados nominalmente, um por um, o que não pôde ser feito na última reunião, na quinta-feira (21), por falta de quórum.

Foram aprovados, entre outros, convite ao ex-procurador-geral Rodrigo Janot e convocações do procurador Marcelo Miller e dos donos da JBS Joesley e Wesley Batista para prestarem esclarecimentos. Veja aqui a relação completa.

Os pedidos de compartilhamento de informações sigilosas e os depoimentos são considerados fundamentais por um dos sub-relatores da CPMI, o deputado Delegado Francischini (SD-PR), para que as investigações avancem além do que já foi apurado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

Mas o deputado tem uma preocupação: o grande volume de informações que precisarão ser analisadas. Por isso, ele defende a aquisição de um programa de computador para fazer auxiliar na análise dos dados.

“Com os requerimentos de quebra de sigilo e de pedidos de informação, com os depoimentos, vamos ter uma quantidade estupenda de informações, que são praticamente impossíveis de serem analisadas sem a ajuda de tecnologia”, disse.

E-mail e celular

Entre os requerimentos que serão votados estão a transferência do sigilo eletrônico dos e-mails enviados e recebidos pelo ex-procurador da República Marcello Miller, bem como os sigilos telefônicos e bancários. Miller é suspeito de repassar informações sigilosas ao grupo JBS.

Também há requerimentos dirigidos às operadoras de telefonia pedindo os dados das Estações de Rádio Base dos celulares de Miller; do diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis; do empresário Joesley Batista; e do executivo da J&F Ricardo Saud.

Com informações da Agência Câmara.