Procurador: Lava Jato parece partidária por não conseguir avançar em ‘determinados políticos’

  • Por Jovem Pan
  • 25/09/2018 12h25
Johnny Drum/Jovem PanProcurador Carlos Fernando Lima pediu afastamento das ações da Operação Lava Jato

Carlos Fernando dos Santos Lima surpreendeu ao anunciar seu afastamento das investigações da Lava Jato, na última semana. O procurador, que atuou durante os 4 anos e meio da Operação, explicou que a decisão foi “totalmente pessoal”, em entrevista exclusiva ao Morning Show.

“Estou chegando aos 40 anos de serviço publico e me aproximando da aposentadoria decidi que alguns meses antes deveria me afastar da investigação”, afirmou. Segundo ele, era necessário um “afastamento ético”, já que a operação traz “informações sensíveis”.

O procurador rejeitou que a Lava Jato tenha sofrido um enfraquecimento, mas disse que há “um movimento claro de diminuir seu alcance”, especialmente com a transferências de casos de Curitiba para outros locais do País, seja para a Justiça comum ou eleitoral.

Para ele, a “Lava Jato jamais pautou-se pela escolha política”, diferentemente do que seus questionadores costumam afirmar. No entanto, ele admitiu que “infelizmente ela tem sido limitada, tem parecido mais partidária porque não pudemos avançar sobre certos partidos e políticos”. A causa desse freio no avanço, acredita, é o principal problema do Brasil: o foro privilegiado.

Indulto a Lula

Carlos Fernando Lima não acredita que, em eventual eleição de Fernando Haddad (PT) à Presidência, que possa ser concedido um indulto ao ex-presidente preso Lula: “não creio que haja possibilidade de indulto dirigida em uma pessoa específica”.

Polarização

Sobre a polarização por que passa ao Brasil, o procurador faz uma análise. “A polarização é uma tendência mundial (…), creio que isso decorre muito mais do papel das redes sociais, perda das referências e filtros da mídia que tinha sobre a informação”.

“A Lava Jato levantou o problema, pode quebrar o termômetro mas não vai combater a infecção”, concluiu.