Procuradoria leva Espírito Santo à Justiça por manter cultos religiosos

  • Por Jovem Pan
  • 07/04/2020 18h50
José Cruz/Agência Brasil Renato Casagrande (PSB) não atendeu às orientações da Procuradoria

Após o governo do Espírito Santo ignorar manifestações do Ministério Público Federal (MPF) acerca da manutenção dos cultos e rituais religiosos mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, procuradores levaram à Justiça processo contra o Estado pedindo a suspensão das reuniões. A medida afirma que a permissão para a realização destes eventos pode prejudicar o combate a doença.

Os procuradores afirmam que a realização de cultos, missas e demais rituais religiosos e a consequente aglomeração de pessoas em um único espaço vai na contra-mão de medidas estabelecidas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A Procuradoria cita o exemplo da Coreia do Sul, país em que a disseminação do novo coronavírus está ligada a um grupo religioso. A Igreja de Jesus de Shincheonji está ligada a pelo menos 5.016 casos confirmados de covid-19, o que representa cerca de 60% do total de casos em toda a Coreia do Sul.

“Não é de se surpreender que a realização de cultos religiosos neste período seja fator de proliferação da covid-19, havendo notícias que uma das vítimas fatais da doença neste Estado participou de celebrações religiosas dentro do período de incubação do vírus, circunstância que resultou na contaminação de outros frequentadores do culto”, aponta o MPF.

A Procuradoria destacou que havia enviado, semanas antes, recomendações que o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB),  suspendesse a realização de eventos religiosos no Estado durante o período de quarentena. A manifestação, contudo, foi ignorada. Segundo o grupo, o governo “não apenas quedou-se inerte, como adotou providências contrárias” ao pedido, liberando cultos e missas no Estado.

“Não se almeja aqui um impedimento ao livre exercício da liberdade religiosa, mas, sim, que o exercício de tal direito não acabe por fulminar a vida, a integridade física e a saúde física e mental dos seus próprios praticantes”, afirmaram.

* Com Estadão Conteúdo