Promotor pede arquivamento de investigação de hospital de SP por suposta omissão
O promotor de Justiça Cassio Roberto Conserino pediu o arquivamento da investigação sobre suposto delito de não notificação compulsória de cinco óbitos decorrentes a Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, no Hospital Santa Maggiore, em São Paulo, pertencente à rede de planos de saúde para idosos Prevent Senior. Segundo ele, há equívocos também quanto ao mérito da investigação.
No último dia 20, o Sancta Maggiore foi alvo de uma inspeção da vigilância sanitária, que constatou as cinco mortes e também a falta de notificação. “A falta de notificação dos casos suspeitos impede que a vigilância tome conhecimento e consequentemente adote as medidas necessárias”, afirmou, a Secretaria Municipal de Saúde à época.
A portaria que instaurou a investigação é assinada pela promotora de Justiça Criminal Celeste Leite dos Santos, que determinou que o delegado de Polícia Civil responsável pela região do hospital informasse sobre eventuais boletins de ocorrência envolvendo a casa de Saúde, e também realizasse diligências na instituição para obter a qualificação completa dos pacientes com coronavírus e dos médicos responsáveis pela omissão da notificação da doença.
No entanto, Conserino argumenta: “Não há como atribuir aos médicos do referido nosocômio, aliás, sequer identificados na portaria, o dolo característico e correspondente da ausência de notificação de doença (crime de perigo abstrato), isto porque é consabido que faltam testes para a detecção do Covid-19 no Brasil e aqueles poucos pacientes que são submetidos aos testes não se obtém com a rapidez necessária o resultado”.
No pedido de arquivamento por ausência de fato típico, o promotor diz ainda que a “ausência de notificação não gera a morte de alguém”, e que não é possível afirmar “que da ausência de notificação suceda homicídio culposo por negligência, porque não sabiam e não tinham condições de saber”.
Segundo ele, é “inadmissível entender que os médicos, que mal sabiam dos resultados possam ser responsabilizados pela omissão”
“Essa questão é de cunho meramente administrativo e já está sob a égide da Secretaria de Saúde. Mostra-se, portanto, fora e alheia da esfera ministerial penal”, diz Conserino.
No documento, o promotor diz ainda que o procedimento foi distribuído a ele e que não houve “convalidação ou concordância” com a abertura da investigação.
Ele também indica que há “equívoco” quanto à competência dos Juízes do Foro Criminal da Barra Funda no caso. Segundo ele, a investigação deveria correr perante ao Juizado Especial Criminal, tendo em vista se tratar uma infração de menor potencial ofensivo.
*Com Estadão Conteúdo
Assuntos
continue lendo
Economia
Setor de serviços de SP cresce 4% no 1º semestre de 2026
Segundo dados do IBGE, o estado corresponde a 47,88% do total de serviços prestados no Brasil
- MP denuncia médica após morte de seis crianças em UTI em hospital do PR Estadão Conteúdo · há 3 horas
- Quem são os mortos em acidente entre micro-ônibus e caminhão no Paraná Jovem Pan · há 4 horas
- MP denuncia homem que matou ex e cachorro em mercado de São Paulo Jovem Pan · há 5 horas
- Ciclone extratropical favorece tempestade no Rio Grande do Sul Agência Brasil · há 7 horas