Protesto contra performance no MAM termina em agressão

  • Por Estadão Conteúdo
  • 30/09/2017 18h35
Estadão Conteúdo/ Tiago QueirozManifestantes protestam contra performance artística no MAM

Uma nova manifestação contra a performance do bailarino e coreógrafo Wagner Schwartz na 35ª edição do Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), terminou em agressão física a funcionários neste sábado (30).

A assessora de imprensa do museu, Roberta Montanari, foi agredida por uma manifestante com um soco e xingada de “pedófila”. Outros funcionários foram igualmente agredidos, física e verbalmente, por 20 pessoas que se reuniram em frente à sede do museu para protestar contra a performance de Schwartz.

Na terça-feira (26), na abertura do Panorama, tradicional mostra bienal do MAM, Schwartz fez a performance “La Bête”, em que se colocava no lugar de um “bicho” da artista carioca Lygia Clark, que morreu em 1988, para ser manipulado pelo público – o “bicho” da artista, representante do movimento neoconcreto brasileiro, é uma peça de metal que pode ser manipulada pelas pessoas.

Uma mulher e a filha de cinco anos se aproximaram do artista e tocaram seu corpo e isso bastou para que o vídeo, exibido fora do contexto por um internauta, detonasse acusações de pedofilia na rede e ameaças à integridade física do curador da mostra, Luiz Camilo Osório.

O diretor do MAM, Felipe Chaimovich, acompanhado do advogado do museu, João Turchi, disse que vai prestar queixa na delegacia. “O Icom (International Council of Museums) recomendou a todos os museus do mundo que não tratem suas obras de maneira diferenciada e é essa recomendação que o MAM vai seguir, pois a performance de Wagner Schwarz não é diferente”, falou. A solidariedade que entidades como a Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA) e museus prestaram ao MAM prova, segundo Chaimovich, que a má interpretação dessa performance por quem não estava presente à abertura provocou acusações improcedentes.