“PT nunca foi nossa referência”, diz novo presidente do PSB, que nega racha no partido após aliança com Aécio Neves

  • Por Jovem Pan
  • 14/10/2014 16h26
Joel Rodrigues/FolhapressCarlos Siqueira

Após fortes críticas do ex-presidente do partido Roberto Amaral e de alguns membros, o novo líder do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Carlos Siqueira, eleito nesta segunda, disse em entrevista à Jovem Pan que está “perfeitamente satisfeito” com a coligação com Aécio Neves (PSDB) para o segundo turno da eleição presidencial e que o PSB não tem obrigação de se aliar ao PT para manter seus princípios.

“É um equívoco achar que apenas se está fazendo a aliança correta com o PT, como que o PT fosse o único partido de esquerda e como se fosse a nossa referência, que nunca foi”, afirmou. “Nós existimos como esquerda muitos anos, décadas antes do PT, então não precisamos dessa referência nem temos obrigação de estar necessariamente coligados com ele.”

A fala foi em resposta a artigo de Amaral na Folha de S. Paulo em que este dizia que, “quando se alia a Aécio Neves, o PSB renega seus compromissos programáticos e estatutários, joga no lixo da história a oposição que moveu ao governo FHC e o esforço de seus fundadores”.

“Não há nada que falar em lata de lixo”, retrucou Siqueira. “Uma aliança é uma aliança por natureza circunstancial, que pode durar um ano, pode durar um governo, pode durar metade de um governo. Portanto não necessitamos de abrir mão de nenhum de nossos princípios, de nosso ideário, de nossos programa”, garantiu o novo presidente do PSB, que classifica a identidade da sigla como sendo de “centro-esquerda”.

Siqueira citou ainda “exceções” que foram feitas ao apoio ao tucano na esfera presidencial: no Amapá (onde Camilo Capiberibe disputa o governo do Estado com o apoio do PT) e na Paraíba (onde Ricardo Coutinho disputa contra o PSDB).

“No conjunto, por uma maioria esmagadora, de mais de 90%, a Executiva Nacional decidiu apoiar Aécio Neves”, argumentou ainda Siqueira, que nega a classificação de “racha” no partido ao que ocorre atualmente no PSB.

Siqueira falou ainda sobre o conflito que teve com Marina Silva, que concorreu à Presidência pelo PSB, à época da morte de Eduardo Campos. Carlos comandava a campanha de Campos e, insatisfeito com a nomeação de Marina de Walter Feldman como novo coordenador, chegou a dizer em agosto que Marina fosse “mandar na Rede dela”.

Hoje, o discurso é conciliatório. Carlos Siqueira trata o desentendimento como resolvido e garante espaço no PSB a membros da Rede Sustentabilidade, grupo político e projeto de partido de Marina Silva.

Ele diz que ligou para Marina quando houve um consenso em torno de seu nome para a presidência do PSB. Eles não se falavam desde a controvérsia de 21 de agosto. “Conversamos longamente, esclarecemos as nossas dúvidas que tínhamos um do outro, nos desculpamos mutuamente”, afirmou.

Siqueira disse ainda que teria informado a Marina que “não criaria nenhum constrangimento a ela” nem a membros da Rede “que têm uma filiação democrática ao PSB e podem ficar até quando desejarem”, o motivo principal de seu telefonema.

Fusão ou incorporação?

Siqueira discorreu também sobre como lidará com a possível fusão ou incorporação do PSB com o PPS. O presidente prefere a segunda opção, em que não se cria uma nova sigla e se mantém o estatuto do partido. Neste caso, o PPS apenas se juntaria ao PSB, fortalecendo o último. No caso de uma fusão, um novo partido nasceria.

“Nós temos com o PPS uma relação histórica”, disse Siqueira, lembrando que o PSB é de 1947 e o PPS já existia à época na figura do Partido Comunista Brasileiro. “O PPS superou a crise por que passou o socialismo real”, avalia.

Siqueira sabe, entretanto, que essa é uma “discussão relativamente longa” e que militantes de ambos os grupos precisam de ser consultados.

Ouça a entrevista completa no áudio acima.