PT piora desempenho de 2012 e pode ter apenas um prefeito em capitais

  • Por Jovem Pan
  • 02/10/2016 19h53
Marcus Alexandre

“Se enganam aqueles que pensam que vão acabar com o PT”, afirmou o ex-presidente Lula ao microfone da Jovem Pan após votar no primeiro turno, em São Bernardo. Mas não é isso que as urnas mostraram. O partido, assolado por diversas investigações de corrupção na Lava Jato, sofreu derrota sem precedentes neste domingo (2).

É uma questão puramente numérica. Antes angariando votos expressivos nas 26 capitais do Brasil, o PT terá que amargar um resultado bem pior do que o do pleito de 2012.

Na ocasião, a legenda teve três prefeitos eleitos nas capitais: Paulo Garcia (o único a confirmar o cargo no primeiro turno, em Goiânia), Fernando Haddad (em São Paulo) e Marcus Alexandre (em Rio Branco).

No total, foram seis candidatos em disputas no segundo turno – juntam-se a Haddad e Alexandre, Nelson Pelegrino, em Salvador, Elmano de Freitas, em Fortaleza, Lúdio, em Cuiabá, Luciano Cartaxo, em João Pessoa. Num resultado, até expressivo, de um terço de eleitos.

Quatro anos depois (e uma enxurrada de críticas, denúncias de corrupção e um impeachment na conta), a derrocada nas urnas. Em 2016, o PT reelegeu um prefeito, Marcus Alexandre, em Rio Branco, no Acre. Tem um candidato, João Paulo, no segundo turno em Recife. E foi só.

Em outras três capitais o partido é coadjuvante. Em São Luís, ele está na coligação de Edivaldo Holanda Júnior (PDT); em Florianópolis, na de Angela (PP); e em Aracaju, na de Edvaldo Nogueira (PCdoB).

As derrotas em algumas das maiores capitais foram dolorosas. Isso é bem claro em São Paulo. Fernando Haddad até ganhou fôlego na reta final, mas foi surpreendido pelo crescimento de João Doria, do PSDB, que venceu no primeiro turno.

Belo Horizonte e Salvador são outros destaques negativos para o Partido dos Trabalhadores. A capital mineira mostra como as Operações Acrônimo e Lava Jato contribuíram para a derrota. O desempenho na capital do Estado que tem o petista Fernando Pimentel como governador assustou até a cúpula do próprio partido.

Na capital baiana, que já foi território petista, o democrata ACM Neto ganhou de lavada. 

O único consolo para o PT é que nenhum partido pode afirmar ter alcançado a hegemonia eleitoral. Ao analisar o cenário nacional, o repórter Jovem Pan José Maria Trindade capturou a tendência: “O retrato pós-eleição deve ser o da pulverização partidária. Os pequenos chegaram ao poder.”