Reale Júnior critica Aécio e diz que cansou de perdoar o PSDB

  • Por Jovem Pan
  • 13/07/2017 17h44 - Atualizado em 13/07/2017 18h02
"PSDB perdeu a noção de sua história, de seu passado e seu futuro", disse o jurista

Miguel Reale Júnior, além de se destacar há anos no cenário do direito penal brasileiro, sempre foi considerado um dos grandes nomes de apoio do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Militante e filiado desde o início dos anos 1990, no entanto, ele surpreendeu ao deixar a sigla no último mês de junho. Em entrevista ao programa Perguntar Não Ofende, apresentado por Augusto Nunes, nesta quinta-feira (13), o jurista detalhou seus motivos e não poupou as críticas ao senador tucano Aécio Neves – em quem votou nas últimas eleições.

“Eu saí do PSDB porque ele perdeu a noção de sua história, de seu passado e seu futuro. O PSDB surgiu para se distanciar de um PMDB contaminado pelo ‘Quercismo’ [referência aos seguidores do ex-governador de São Paulo peemedebista Orestes Quércia], mas se manteve ‘quercista’. Todos esperavam que o presidente Michel Temer (PMDB) assumiria a presidência para conduzir o país a um ressurgimento econômico, só que ele manteve os mesmos hábitos. O PSDB entrou com coragem com Temer para dar respaldo a uma recuperação, mas de repente se viu envolvido em um governo com a marca do ‘Quercismo’ e não o deixou”, declarou.

Ainda comentando sua desilusão com o partido, o jurista citou a gravação feita de uma conversa entre Aécio e o dono da JBS Joesley Batista que foi divulgada no mês de maio e resultou na prisão de Andrea Neves, irmã do senador, e de seu primo, Frederico Pacheco de Medeiros. No diálogo, o tucano descreveu tentativas de enfrentar a Lava Jato no Congresso e anistia ao caixa dois e à lei de abuso de autoridade.

“Eu votei no Aécio na última eleição. Mesmo assim, em minha opinião, o partido deveria afastá-lo. O que mais me espantou foi o tom da gravação em que ele foi pego. Mais do que o conteúdo em si. Parece outra pessoa. O PSDB deixou de atacar o Mensalão do Lula para preservar o Mensalão Mineiro. Perdeu a oportunidade de marcar pontos na história. Errou. Eu me canso de perdoar o PSDB”, concluiu.

 

 

Possíveis candidatos daqui para a frente

Em meio a um vazio de opções de peso na política brasileira, Reale Júnior foi questionado sobre quem poderia ser um bom nome para as próximas eleições. Em um momento de transição, disse apostar em Tasso Jereissati (senador pelo estado do Ceará pelo PSDB) para fazer a ponte até 2018 e Álvaro Dias (senador pelo estado do Paraná pelo Podemos) como possível candidato à presidência. Antes líder do PSDB, Dias se mudou para o PV em 2015 e para o Podemos, antigo Partido Trabalhista Nacional (PTN), em 2017.

“Não simpatizo com ninguém. Por enquanto, o candidato que me parece possível é o Álvaro, que tem um passado positivo e foi um grande líder, embora esteja hoje em um partido de menor relevo. É um nome que está aí com alguma representatividade. Talvez a Marina Silva (Rede) também, mas ela demonstrou fragilidades no último processo eleitoral”, afirmou.

Condenação de Lula é “cuidadosa” e definitiva

Por fim, o jurista elogiou a Operação Lava Jato – que pode, sim, “melhorar o Brasil” – e reafirmou que já esperava a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que considera a sentença de Sérgio Moro “extremamente cuidadosa” e “sem nenhum cunho político”.

“A sentença é absolutamente baseada em elementos probatórios. Não tem um adjetivo! Não tem um desvio de consideração que não seja com base em depoimento, perícia, gravação. Nada. Não faz sequer considerações teóricas. Só probatória”, disse. “Acredito que Lula, como presidente, tinha maior responsabilidade de zelar pela probidade administrativa de toda a República, começando pela dele próprio. Então sua pena tem que ser maior. Ele tinha conhecimento de tudo que acontecia na Petrobras. O presidente tem que dar o exemplo, dar o tom da administração. Se ele fere a moralidade, a reprovabilidade é maior. O tribunal pode, sim, aumentar a pena”, finalizou.