“Recado ao STF foi dado e está bastante claro”, diz líder do MBL

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2018 21h10
NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDOAvenida Paulista ficou tomada, nos dois sentidos, em manifestação contra o HC do ex-presidente Lula

Nesta terça-feira (3), os Movimentos Brasil Livre e Vem Pra Rua, realizaram um ato para pressionar o STF, que nesta quarta-feira (4) julga o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula. O ato ocorreu no Distrito Federal e em mais 21 estados, com destaque para São Paulo. A Avenida Paulista precisou ser fechada para o trânsito de veículos e ficou completamente tomada no trecho entre o MASP e a Rua da Consolação. De acordo com a Polícia Militar, 40 mil pessoas participaram do protesto.

Assim como ocorreu na manifestação pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, os manifestantes utilizaram camisas amarelas e levaram o tradicional “Pixuleco”. Alguns, também levaram cartazes pedindo “Lula na Cadeia”.

Em entrevista à Jovem Pan, Kim Kataguiri, coordenador do MBL, afirmou que a presença maciça do público superou as expectativas e o recado ao Supremo foi dado. “Não esperávamos ter uma mobilização similar a do impeachment, mas ainda assim significativa. Acredito que isso vá servir para que os ministros do Supremo saibam que não é só a pressão de deputados, senadores e advogados, mas também existe a pressão popular. O recado, com a imagem aérea da Paulista, vai estampar todo os jornais e está bastante claro”, declarou Kataguiri.

O coordenador do MBL afirmou ainda acreditar numa decisão favorável à prisão de Lula. “O histórico da ministra Rosa Weber, que deve ser o voto de minerva, já é de não concessão ao habeas corpus. Isso aconteceu apenas uma vez dentre os 48 que ela já julgou em segunda instância. Não acredito que o Lula vá ser o segundo, ainda mais após essa pressão”, reiterou.

“Caso Lula não seja preso nós vamos fazer mais manifestação e, assim como é o slogan da Jovem Pan, partir pra cima”, completou Kataguiri.

Janaína Paschoal teme “debandada” 

Um das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, a jurista Janaina Paschoal, destacou que a população está se manifestando por não aguentar mais tanta impunidade. Não acredito muito na pressão, porque o tribunal não deve ceder à pressões, mas a mensagem é de que o STF zele pelo nosso país. Temos que responsabilizar os usurpadores do poder. Esses crimes estão muito provados e se liberar um vai ser uma fila de liberação, criticou.

A jurista também explicou os reais motivos na mudança da jurisprudência e que têm levado aos questionamentos junto ao STF. “Durante muitos anos a interpretação que prevaleceu foi a de que se poderia sim executar a sentença após a segunda instância. Houve uma mudança de entendimento, mas em 2016, o STF, com essa mesma composição, firmou entendimento de que podia executar em segunda instância. Ou seja, que não tinha que esperar o julgamento do especial e do extraordinário. Mas o que mudou em dois anos? Não tem justificativa”, criticou a jurista.

“Não é o desejo de ver o ex-presidente preso, mas a necessidade de cumprir a lei”, ressaltou Janaína Paschoal.

Já a presidente do Movimento Brasil NasRuas, Carla Zambelli, destacou que o ato desta terça-feira é mais importante do que o do impeachment. “Amanhã acontece uma decisão do STF e pode definir os novos rumos do Brasil. São muitos bandidos de colarinho branco.

Carla também explicou sobre a faixa em que estendeu em frente ao prédio do STF, no dia 1° de abril. “O STF é a casa do 1º de abril porque é uma mentira o que eles têm feito com o povo brasileiro”, disse.

*Com informações da repórter Marcella Lourenzetto