Relação de Marina Silva com o PSB se dava por intermédio de Eduardo Campos

  • Por Jovem Pan - Brasília
  • 13/08/2014 15h26

Marina Silva se filou ao PSB e declarou apoio ao governador de PernambucoMarina Silva abre mão da candidatura à presidência da República

O comentarista Jovem Pan de Brasília, Fernando Rodrigues, avaliou primordialmente a conjuntura política após a morte do candidato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos, nesta quarta-feira (13), em acidente de avião.

Marina Silva, vice na chapa de Campos, não está dando declarações neste momento e mandou avisar que está muito abalada com a notícia. Rodrigues relembra que o PSB tem o direito legal de substituir o seu presidente.

“Silva é uma pessoa muito intuitiva, que toma decisões muito solitárias e que surpreende muitas vezes”, avalia Fernando Rodrigues, lembrando a notícia de que de última hora em 2013 Marina Silva confirmou sua candidatura à vice-presidência com Campos, após o partido dela, Rede Solidariedade, não conseguir registro a tempo.

“Marina Silva seria a herdeira natural dessa posição, mas é algo temerário de se dizer ainda”, diz. Ele lembra também que “a relação de Marina Silva com o PSB se dava por intermédio de Eduardo Campos”. Rodrigues diz que não enxerga “no PSB um interlocutor à altura de Eduardo Campos”.

“Campos era uma pessoa de muito fácil trato, muito bem humorada e que se dava muito bem com Marina Silva”. Eles tomavam decisões em conjunto, discordavam e concordavam juntos, sem muita interferência ou intermediação de outros membros do PSB ou da Rede.

“Silva não tem esse tipo de relacionamento com muitos integrantes da cúpula do PSB”, diz Rodrigues. “Nunca se deu bem com Márcio França“, por exemplo. A engenharia política necessária para ela assumir a candidatura é muito complexa e não se pensava nisso.

Rodrigues não enxerga, porém, nenhuma outra possibilidade para o PSB no momento.

Consequências políticas

“O desaparecimento de Eduardo Campos representa não só uma perda para o PSB, mas também uma interrupção na construção de alternativas de nomes e de forças políticas que pudessem romper a alternância apenas entre PT e PSDB, que temos desde 1994 no Palácio do Planalto” estima Rodrigues.

Em telefonema numa noite de 11 de setembro de 2012, Eduardo Campos relatou a Fernando Rodrigues: “Em 2006 eu concorri a governador de Pernambuco com poquíssimo tempo de TV, contra a vontade de Lula e do PT e acabei ganhando”, disse Campos sobre pleito que começou com 5% das intenções de voto.

Campos aceitava de maneira muito calma o fato de estar com 10% nas eleições presidenciais de 2014, porque todas as pesquisas demonstravam que, no momento em que ele assimilasse seu nome ao de Marina Silva, pularia para 20%.

Ele era um dos nomes mais fortes a dar alternativas à bipolaridade PT/PSDB. Ciro Gomes e Garotinho até tentaram, mas não tiveram carreira tão sólida.

Campos fazia uma carreira muito bem montada para ser uma expressão nacional.

O vácuo não se abre apenas para o partido dele, mas também em plano nacional, porque se abre para outros partidos, uma vez que não há nenhum outro que tenha construído essa carreira fora de PT e PSDB.