Renan sinaliza a aliados que pretende aceitar pedido de impeachment de Janot

  • Por Estadão Conteúdo
  • 16/06/2016 09h29
Brasília - Presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, durante apreciação de vetos e destaques, antes de iniciar a discussão e apreciação do PL da nova meta fiscal (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)Renan Calheiros

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou a aliados que quer dar seguimento ao pedido de impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O peemedebista não tem conseguido esconder sua revolta com a atuação do procurador, que pediu, na semana passada, sua prisão ao Supremo Tribunal Federal.

Na noite da última quarta-feira (15), Renan participou de festa junina na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-MS). Antes disso, entretanto, se reuniu com Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Eduardo Braga (PMDB-AM) na casa do ex-presidente José Sarney, em Brasília Os peemedebistas tiveram que acalmar Calheiros, que mostrou-se decidido a aceitar o impedimento do jurista.

Ele relembrou aos colegas de partido que existem ainda cinco pedidos de afastamento contra o procurador-geral da República a serem analisados pelo Senado e que pretende buscar, em algum deles, os argumentos necessários para acolher a denúncia.

Segundo os parlamentares, o presidente do Congresso está irritado com as decisões do procurador-geral. O desconforto ficou claro durante a festa junina de Kátia, quando Renan trouxe para as rodas de conversa, por diversas vezes, o nome de Janot. 

O político abordou diferentes convidados mostrando, em seu celular, uma reportagem sobre o procurador. No título, o chefe do MP federal afirmava que a manutenção de sigilo da delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, geraria crise entre os Poderes.

Renan argumentou com os senadores que, dessa forma, Janot estava “estimulando vazamentos” e que isso era uma “irresponsabilidade”. O parlamentar foi alvo de um dos vazamentos da delação de Machado e apareceu em um diálogo chamando o jurista de “mau-caráter”.

O político insinua ainda que Janot tenha orientado as gravações feitas por Machado, “são conversas totalmente induzidas, é uma delação orientada. Como pode grampear um senador com foro? Só com autorização judicial”, apontou, durante a festa, aos convidados. 

De acordo com o peemedebista, a delação não possui “materialidade” e, para trazer essa característica para a colaboração premiada, o delator teria sido orientado a fazer gravações, em um paralelo com o caso de Delcídio Amaral, afirmando que, ao se negociar acordo de delação, o ex-senador teria se comprometido a voltar ao Senado para realizar gravações com colegas a fim de alimentar o depoimento final.

Confraternização

Muitos pasrlamentares marcaram presença na festa junina oferecida por Kátia Abreu. Inicialmente divididos em duas mesas, uma do governo e outra da oposição, os políticos se reuniram em um só grupo com a chegada do presidente do Senado.

Renan chegou mais tarde, acompanhado de Eunício Oliveira e Eduardo Braga e conseguiu acomodar todos ao seu redor. Apesar de o assunto ser majoritariamente político, a conversa seguiu descontraída, regada a muito whisky e, entre uma reclamação e outra contra Rodrigo Janot, Calheiros conduziu a conversa com brincadeiras e vários casos.

Ele explicou, por exemplo, porque não quis autorizar o pagamento de passagem e hospedagem para a autora do processo de impeachment, Janaína Paschoal, para esta participar das reuniões da comissão, “com todo respeito, ela é muito chata!”, justificou, aos risos, para os colegas. Segundo ele, a jurista poderia poupar o Senado dessa despesa já que recebe altos honorários “pagos pelo PSDB”, brincou. 

O petista Lindbergh Farias (RJ) zombou dos apelidos da tropa de choque de Dilma na comissão do impeachment, “gravamos um vídeo juntos e alguém comentou dizendo que eu era o petralha, a Vanessa Grazziotin seria a Penélope Charmosa, a Gleisi Hoffmann era a Narizinho e a Fátima Bezerra, a Maria Bonita”, contou, arrancando risos da mesa.

Muitas piadas também foram feitas com o senador Zezé Perrella (PTB-MG), que não estava presente. Os demais disseram que o colega tem fama de organizar boas festas, sempre com a presença de moças mais jovens.

Alguns deputados também participaram da confraternização, mas longe da mesa dos senadores. André Fufuca (PP-MA) passou para cumprimentar os demais, enquanto Tiririca (PR-SP) chegou a cantar uma música com o sanfoneiro.

O encontro foi uma homenagem ao ex-senador do Democratas José Jorge, que também é ministro aposentado do Tribunal de Contas da União (TCU). Com bom trânsito partidário, Jorge realizava, todos os anos, uma festa junina em Brasília, prestigiada por diferentes nomes da República. Katia presenteou o convidado e anunciou que gostaria de manter a tradição.