RN: Natal e Mossoró tem 100% dos leitos para Covid-19 ocupados

Governo prevê abrir mais 114 leitos para tratar casos da pandemia nos próximos 15 dias

  • Por Jovem Pan
  • 08/06/2020 20h15 - Atualizado em 08/06/2020 20h16
Roberto Casimiro/Estadão ConteúdoApesar da pressão sobre o sistema público de saúde, o titular da Sesap/RN, Cipriano Maia, declara que ainda não é possível afirmar que o Estado encara o pico da doença

A ocupação de leitos específicos para o tratamento dos pacientes com suspeita ou confirmação pela Covid-19 atingiu a capacidade máxima em Natal e Mossoró, as duas maiores cidades do Rio Grande do Norte, ao longo do fim de semana. Foi a primeira vez desde o início a pandemia que estes municípios atingiram o pico de uso desses leitos simultaneamente. Até a noite do domingo (7), a Central de Regulação da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), contabilizava 11 pacientes em estado crítico, aguardando um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Apesar da pressão sobre o sistema público de saúde, o titular da Sesap/RN, Cipriano Maia, declara que ainda não é possível afirmar que o estado encara o pico da doença. Em uma semana, o número de mortes pela Covid-19 no Rio Grande do Norte cresceu 26,9% (de 323 óbitos no dia 1.º de junho para 410 no dia 6 de junho), conforme dados mais atualizados da Sesap/RN. Mesmo com todos os leitos para o tratamento da doença ocupados nas cidades consideradas epicentros no estado, Cipriano Maia evita confirmar que o sistema de saúde local está colapsado.

“A taxa de ocupação de leitos críticos e a crescente demanda nas portas de urgência, associados aos baixos índices de isolamento social vigentes até a semana passada, têm produzido uma situação de estresse máximo sob os serviços de saúde”, explicou Cipriano Maia. O governo do Rio Grande do Norte prevê abrir mais 114 leitos para tratar casos da pandemia nos próximos 15 dias. Desses, 63 serão de UTI.

Dos 219 leitos abertos pelo estado desde o início da pandemia, 171 estão ocupados hoje. Outros 12 encontram-se disponíveis e 37 bloqueados. O Rio Grande do Norte poderia ter mais leitos, entretanto 51,4% do total dos leitos bloqueados se encontram nesse status por falta de mão de obra. O estado enfrenta dificuldades para ampliar o quadro de profissionais de saúde para atuar no combate à pandemia. Nem mesmo os processos seletivos simplificados foram capazes de preencher as vagas temporárias abertas pela Sesap/RN nos últimos 60 dias.

No início de maio, dois idosos morreram à espera de leito de UTI. Ambos apresentavam sintomas para a Covid-19 e a burocracia da regulação dos leitos retardou a liberação da vaga. Eles não resistiram e morreram nas Unidades de Saúde de Ipanguaçu e São Rafael, na região oeste do Rio Grande do Norte.

* Com informações do Estadão Conteúdo