Roberto Alvim admite que frase foi copiada, mas responsabiliza assessor: ‘Não sabia que era do Goebbels’

  • Por Jovem Pan
  • 17/01/2020 11h20
Reprodução/FacebookRoberto Alvim afirmou que não é nazista e disse que "qualquer pessoa com o minimo de sanidade mental não pode ser cúmplice"

O secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, explicou, na manhã desta sexta-feira (17), em entrevista à Rádio Gaúcha, a declaração polêmica veiculada em um vídeo da pasta na última quinta-feira (16).

Na ocasião, Roberto Alvim fala que “a arte brasileira da próxima década será heroica e imperativa”. Essa mesma frase foi utilizada por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler, em sua biografia — ao se referir à arte alemã.

Roberto Alvim afirmou que não é nazista e disse que “qualquer pessoa com o minimo de sanidade mental não pode ser cúmplice ou simpática a um regime genocida”. Ele, entretanto, foi enfático ao dizer que “essa frase é perfeita” e que “não há nenhum problema com ela”.

“Não dá para me vincular a um ideário nazista. Ele tinha esse discurso, há uma similaridade nesse ponto [da arte]. Mas eugenismo, antissemitismo, nobreza a partir do sangue. Isso é terrível sobre qualquer ponto de vista. Não sabia que essa frase era do Goebbels. Se soubesse, não teria usado”, completou.

Ele chamou a coincidência de “retórica” e explicou a formulação do discurso. “O discurso foi escrito 90% por mim, com ajuda de assessores. Buscamos o termo ‘nacionalismo em arte’ no Google e achamos essa frase. Foi uma coincidência infeliz e eu não sabia qual era a fonte da frase.”

O secretário afirmou que “estão investigando qual foi a origem de tudo isso”, mas disse que não vai tirar o vídeo do ar.

“O que se pode fazer é esclarecer. Apagar é inviável, as pessoas tem cópia, não há como apagar. O que posso fazer é, humildemente, conversar com todo mundo pra esclarecer os pontos.”

Ópera de Wagner

Outro ponto muito comentado sobre o vídeo é a trilha-sonora — uma ópera de Wagner, Lohengrin. Sobre isso, o secretário admitiu ter sido sua escolha.

“A escolha de Richard Wagner foi minha. É a ultima ópera escrita por ele. Uma obra transcendental que nos revela a face de Deus desde o primeiro acorde. Associar isso ao nazismo é uma má intencionalidade ou alfabetismo funcional”, explicou.

Demissão

Após a polêmica, o presidente Jair Bolsonaro decidiu demitir o secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim.