Maia: ‘Não há convergência entre discurso do governo e a prática’

Para o presidente da Câmara, enquanto Bolsonaro profere ameaças aos órgãos institucionais, o governo recorre das decisões por meios legais

  • Por Jovem Pan
  • 28/05/2020 16h00 - Atualizado em 28/05/2020 16h03
Frederico Brasil/Estadão ConteúdoMaia disse esperar que seja retomado o diálogo entre os Poderes

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta quinta-feira (28) os alertas velados ao STF feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, que declarou hoje que não admitirá “decisões individuais” e “monocráticas”. Para Maia, “não há convergência entre o discurso do governo e a prática”.

Ele citou a reunião com o presidente e os governadores feita na última semana, onde havia sido retomado um diálogo.”Tínhamos tentativas de reafirmar o compromisso do diálogo e do respeito constitucional. As declarações de hoje vão em outro caminho, que geram insegurança”, disse.

Sobre as divergências, Maia pontuou que, enquanto Bolsonaro profere ameaças aos órgãos institucionais e à democracia, o governo recorre das decisões por meios legais. O exemplo foi o pedido de habeas corpus ingressado no STF pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, em nome do ministro da Educação, Abraham Weintraub, e outros investigados por falas durante a reunião ministerial do dia 22 de abril.

“Há um discurso e uma decisão prática. O ministro, não sei se o adequado, recorreu da decisão e pediu habeas corpus para o ministro da Educação. Isso quer dizer que o ministro Moraes foi respeitado, porque se recorreu aos meios legais. É uma decisão em um caminho, e um discurso em outro”, afirmou o presidente da Câmara.

“Precisamos compreender que essas divergências de comportamento sobre o que o governo faz e o que o presidente fala precisam de convergência, e sinalizar para a sociedade que estamos focados e preocupados em salvar vidas, empregos e renda. Decisões de outros poderes precisam ser respeitadas”, continuou.

De acordo com Maia, “qualquer frase mal colocada vai estressando as relações”. Ele lembrou que “não tem nada mais importante do que a democracia” e destacou que a Câmara respeita as decisões dos outros Poderes, mesmo que discorde. “Não podemos sinalizar para a sociedade que há risco do Poder Executivo não respeitar essas decisões.”