Saneamento está estagnado no Brasil, afirma especialista do setor

  • Por Jovem Pan
  • 10/03/2020 09h50 - Atualizado em 10/03/2020 09h56
Segundo a pesquisa, 16,38% da população brasileira não possui acesso ao abastecimento de água

O décimo ano do ranking de saneamento básico no Brasil mostrou estagnação e retrocesso. Em entrevista ao Jornal da Manhã nesta terça-feira (10), Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, reforçou aos desafios no setor e a importância, neste ano de eleição, da população cobrar os planos de saneamento.

Atualmente, no Brasil, 16,38% da população não possui acesso ao abastecimento de água e a situação deve permanecer, é o que aponta o novo ranking de saneamento no país. Entretanto, a situação preocupa os especialistas, já que o país possui compromissos nacionais e internacionais do setor.

“Temos compromissos tanto nacionais com o Plano Nacional de Saneamento, quanto internacionais, com as Nações Unidas, em levar água e esgoto a todos os brasileiros até 2030.”

Para ele, na prática, o ranking mostra que o Brasil ficará mais mais tempo sem saneamento básico. Mais um alerta em um ano eleitoral para mudar saneamento

No Congresso Nacional se discute a criação de um Marco Regulatório de Saneamento Básico (PL 4.162/2019). O objetivo, segundo Édison, é contemplar algumas coisas que ficaram de fora e permitir que o investimento privado entre de forma mais expressiva no setor.

“Permitir que o setor privado entre mais no saneamento, 94% são atendidas por uma empresa pública. Esse sistema só baseado no setor público não consegue dar conta e, ao mesmo tempo, teve uma queda de recursos públicos.”

De acordo com ele, o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, já reconheceu que “não dá para depender do Governo Federal para que o setor de saneamento avance”. Por isso, para Édison, a proposta é dar continuidade com o debate do marco regulatório e aumentar os investimentos privados no setor.