Silêncio trava trabalhos da CPI da Petrobras, lamenta Hugo Motta

  • Por Jovem Pan
  • 02/09/2015 11h44
Deputado federal Hugo Motta

O presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), lamentou a opção constitucional de ficarem em silêncio que alguns réus e investigados pela Operação Lava Jato adotam quando inqueridos pela comissão. Os deputados estão em Curitiba desde segunda-feira, mas a maioria dos interrogados, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, prefere não se pronunciar.

Motta rebateu o argumento de que a atuação da CPI tem sido midiático e pouco efeitivo. “Se nós não tivéssemos vindo a Curitiba, os mesmos críticos iriam dizer que estávamos protegendo alguém”, disse.

“Não posso dizer que a CPI está plenamente satisfeita porque, na verdade, essas decisões judiciais e essa opção que a Constituição garante a esses investigados de permanecerem em silêncio trava um pouco nosso trabalho”, disse Motta em entrevista exclusiva à Jovem Pan. Ele garante, entretanto, que a CPI tem “persistido e insistido” em “arrancar informações”.

Motta destacou ainda o papel da CPI para a formulação de novas leis que ajudem a combater a corrupção. “Nós queremos no final do relatório evoluir na elaboração de leis que possam atualizar a lei de licitações vigente, para dar à Petrobras a condição de se proteger contra novos casos de corrupção”, afirmou Motta.

Citando também a lei de delação premiada, que é de 2013, Motta reconhece que “o funcionamento da CPI diante desses fatos todos ficou meio desatualizado”. Ele destaca, entretanto, que CPI dos correios terminou com “forte lei contra lavagem de dinheiro”.

Para o parlamentar paraibano, uma das principais funções da CPI é “traduzir para a população o que está acontecendo no âmbito da Polícia Federal”. Motta considera que a comissão é a “mais limitada e mais cobrada”.

“Há uma cobrança muito grande, até porque existem instituições partidárias e políticas envolvidas nesse escândalo, infelizmente”, ressalta.

Próximos depoimentos

Nesta quarta, ocorre acareação entre Augusto Mendonça Neto (executivo da Toyo Setal), Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

Motta disse que há expectativas nesta quarta de “saber como (o ex-tesoureiro do PT) Vaccari se posiciona” em relações a denúncias de Augusto Mendonça dadas em abril à CPI em Brasília.

À época, Mendonça disse que fez contribuições ao PT, por meio do então tesoureitro João Vaccari Neto, a pedido de Renato Duque, ex-diretor de Serviços. Ele alegou, entretando, que Vaccari, em si, não ofereceu vantagens ao executivo pois não teria o poder de fazê-lo.