Sobrevivente volta à Muzema e revela drama nos escombros: ‘Escavei com as mãos’

  • Por Jovem Pan
  • 13/04/2019 14h13 - Atualizado em 13/04/2019 14h58
José Lucena/Futura Press/Estadão ConteúdoPelo menos sete pessoas morreram nos desabamentos de dois prédios na zona oeste do Rio de Janeiro

Um dia depois de ter sido retirado dos escombros de dois edifícios, Luciano Paulo dos Santos, de 38 anos, voltou neste sábado (13) ao local dos desabamentos que deixaram pelo menos sete mortos na Muzema, zona oeste do Rio de Janeiro, para tentar recuperar documentos que ficaram em seu apartamento. Ele foi resgatado pelos bombeiros após cerca de quatro horas soterrado e conta que ficou consciente o tempo todo.

“Eu não costumo acordar às 6h, mas devido às fortes chuvas, acordei para não chegar atrasado no trabalho”, diz ele, que primeiro ouviu os gritos dos moradores do prédio ao lado. “Quando abri a janela, vi o ar condicionado passando [conforme o prédio desabava]”.

O chefe de cozinha mineiro relata que fugiu para o corredor, e, de lá, sentiu que o seu prédio também começou a afundar sobre os seis andares de baixo, já que ele morava no último. Luciano caiu, e uma coluna de seu apartamento caiu ao seu lado. Sobre ela, desabou uma parede e uma laje. “Fiquei em uma caverninha”, lembra.

“Aí, fui escavando com a mão. Comecei a tirar as pedras e me locomover igual a uma minhoca entre os escombros”, conta o sobrevivente, que afirma que teve elasticidade para se contorcer porque fazia yoga.

Ao ouvir o trabalho dos bombeiros, ele pediu socorro e foi localizado. Depois de resgatado, Luciano foi levado para o Hospital Lourenço Jorge, de onde teve alta, aliviado e triste com a notícia da morte de seus vizinhos. “Conhecia todos eles”, lamentou ele, que morava sozinho e agora está abrigado na casa de uma amiga.

Em busca de um apartamento próprio, Luciano se mudou para o prédio que desabou em setembro, e conta que ainda não havia percebido nenhum sinal de instabilidade na estrutura. “Nem depois das chuvas”, reforça ele.

Durante a manhã deste sábado, a rua do desabamento continuava interditada para o trabalho de resgate. Ao menos 17 pessoas são consideradas desaparecidas.

*Com informações da Agência Brasil