Sócio do Grupo Libra contradiz Temer sobre atuação do coronel Lima

  • Por Jovem Pan
  • 04/06/2018 14h29
Montagem/Reprodução e EFECoronel João Baptista Lima Filho é apontado como um dos operadores de propina do presidente Michel Temer (MDB)

Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Gonçalo Torrealba, sócio do Grupo Libra, disse que João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, atuou como arrecadador financeiro de campanhas passadas do presidente Michel Temer. As informações do depoimento, prestado no começo de abril, foram revelados pelo blog de Andréia Sadi.

Temer disse, no entanto, também em depoimento à PF em janeiro, por escrito: “o Sr. João Batista me auxiliou em campanhas eleitorais, mas nunca atuou como arrecadador de recursos”.

Torrealba também admitiu no depoimento que o Grupo Libra, do ramo portuário, foi beneficiado pelo decreto dos portos, que estendeu concessão de empresas do setor de 25 para 35 anos, podendo ser estendida por 70 anos. O decreto assinado por Temer em maio de 2017 é investigado.

O sócio da companhia negou, no entanto, que o grupo tenha participado de irregularidades ou realizado doações por caixa dois.

O empresário disse “que conheceu João Baptista Lima Filho, chamado de coronel Lima, quando ele foi coordenador de campanha de Michel Temer a deputado federal há mais de 10 anos, solicitou colaboração do declarante para doação”. Ele informou a PF “que se encontrou mais algumas vezes com João Baptista até informar definitivamente que não poderia doar para Temer”.

Os encontros teriam ocorrido na sede do grupo Libra. De acordo com o empresário, Temer o recebia para ouvir demandas da área portuária. Outros encontros entre Temer e Torrealba teriam ocorrido no escritório do atual presidente em São Paulo para discutir “conjuntura política”. Michel Temer concorreu a uma vaga na Câmara em 2002 e 2006. Em 2010, foi candidato a vice de Dilma Rousseff.

O empresário revelou também que recorreu ao coronel Lima em 2015 devido à proximidade deste com Michel Temer, então vice-presidente, e com o governo. Torrealba disse que “tinha urgência em solucionar as pendências nas renovações, uma vez que havia prazo fatal de menos de um mês para seu encerramento”.

Naquela mesma época, Torrealba afirmou que se encontrou com a então ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT), no Palácio do Jaburu, em reunião que teve a presença de Temer. O assunto era a entrega de um terminal do grupo para o escoamento de soja, que seria “condição essencial para efetivação das concessões em 2015”, segundo o relato.