Domenico De Masi sobre pandemia: ‘Vamos aprender a diferença entre o necessário e o supérfluo’

  • Por Jovem Pan
  • 23/04/2020 07h27 - Atualizado em 23/04/2020 08h08
Reprodução/GloboDomenico di Masi é o convidado do 45 do Primeiro Tempo desta semana

O sociólogo italiano Domenico De Masi, conhecido em todo mundo pelo conceito de “ócio criativo”, segundo o qual o ócio, longe de ser negativo, é um fator que estimula a criatividade, conversou com o podcast 45 do Primeiro Tempo diretamente de Roma, na Itália, onde cumpre sua quarentena.

De Masi analisou a situação em seu país, um dos mais afetados do mundo por conta do coronavírus, as mudanças na forma de trabalhar, a relação entre a pandemia, o autoritarismo e as novas encruzilhadas econômicas que políticas do mundo. Para o italiano, mais do que nunca “vamos aprender a diferença entre o necessário e o supérfluo”.

Itália

De Masi disse que a situação na Itália ainda é muito grave: “O número de mortes é grande, pelo menos 500 pessoas por dia”. O sociólogo lembra que seu país tem 60 milhões de pessoas, uma população bem menor que a do Brasil; por isso, 500 mortos ao dia é um número muito expressivo, concentrado muito no norte do país (Lombardia e Piemonte), que é a região mais rica.

Trabalho

Na entrevista, De Masi lembra que a previsão para o dia primeiro de maio deste ano era ter 570 mil pessoas em home office na Itália: “Por conta do coronavírus, em quatro semanas mudou o que não mudava há 40 anos. Agora, temos mais de 8 milhões de italianos que trabalham em casa”.

O sociólogo lembra ainda que suas pesquisas mostram as vantagens do trabalho remoto, como menos estresse com o trânsito e mais tempo com a família, sem perder a produtividade. Para De Masi, a questão que mais impede a adoção numa escala maior da medida é uma visão antiquada de poder.

Autoritarismo

De Masi lembra que a pandemia requer decisões rápidas e centralizadas, o que pode facilitar o autoritarismo. “As decisões são delicadas e perigosas porque devem ter como preocupação conciliar a esfera sanitária com econômica e política”. O sociólogo ressalta que sob a necessidade de, no tempo da pandemia, prevalecer os cuidados com a saúde, pode haver ataques à privacidade. A mesma coisa pode valer para a saúde e a economia.

Ouça a entrevista completa nesta edição do 45 do Primeiro Tempo: