Tabata Amaral defende voto a favor da Previdência: ‘Não posso aceitar que digam que não conheço a pobreza’

  • Por Jovem Pan
  • 25/07/2019 15h48 - Atualizado em 25/07/2019 16h37
Reprodução/FacebookDurante os quatro anos de faculdade em Harvard, sua família sobreviveu apenas da pensão de morte de seu pai

“Eu respeito quem pensa diferente de mim. O que não posso aceitar é que digam que eu não conheço pessoalmente a pobreza e a desigualdade, que eu não saiba a diferença que uma aposentadoria ou pensão faz”, escreveu a deputada federal Tabata Amaral, suspensa do PDT por ter votado a favor da reforma da Previdência na Câmara.

Em texto publicado nas redes sociais, Tabata defendeu novamente o seu voto e explicou que, durante os quatro anos de faculdade em Harvard, sua família sobreviveu apenas da pensão de morte de seu pai – que faleceu devido à dependência química – e dos trabalhos que fez como babá e recepcionista.

“O meu voto não seguiu a lógica financista de economizar recursos a todo custo mas tampouco seguiu a lógica de vários setores da oposição de quanto pior melhor. A opção que eu fiz foi pela minha comunidade, pela minha periferia e por todos aqueles que votaram em mim acreditando que eu tomaria as minhas decisões depois de muito estudo e reflexão, e que seria coerente com as minhas convicções, por mais difícil que fosse o caminho depois.”

A deputada afirmou, ainda, que quando tomou essa decisão, pensou em uma reforma mais justa do que a que foi apresentada pelo governo. Porém, ela se diz convicta de “algo precisava ser feito” para que a Previdência não quebre e “que o país tenha dinheiro para a educação e para voltar a crescer”. A intenção do governo é que sejam economizados R$ 933,5 bilhões durante 10 anos com a nova Previdência.

Tabata criticou também o “debate raso e polarizado de esquerda vs direita”. Devido ao seu voto, a parlamentar foi atacada pelos partidos de esquerda e por seus próprios correligionários. De acordo com ela, “são necessárias novas visões, que tenham coragem de ir além”.

“Trabalhando desde muito nova, foi só no final da faculdade que comecei a me engajar politicamente”, declarou. “Nunca participei de movimentos estudantis e foi só no ano passado que me filiei a um partido. Minha visão sobre a desigualdade, da qual conheço os dois extremos de perto, e a educação, de onde veio a única chance que tive na vida, não vieram de clássicos da esquerda e nem de juventudes partidárias, mas de tudo o que vivi na ocupação onde cresci e moro até hoje.”

Sexta colocada no quadro geral de deputados eleitos em 2018, Tabata ganhou os holofotes por conta de sua trajetória de vida e planos para a educação, inclusive contestando duramente o então ministro da Educação Ricardo Vélez Rodriguez e seu sucessor, Abraham Weintraub. Ela cresceu na periferia de São Paulo, no bairro da Vila Missionária, a cerca de 30 quilômetros do centro.

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