Temer defende aliança Mercosul x UE e revela ida a RR para inspecionar postos de refugiados

  • Por Estadão Conteúdo
  • 18/06/2018 14h49
Marcelo Camargo/Agência BrasilTemer lamentou certa ruptura existente na ordem democrática da Venezuela: ""Reitero em alto e bom som a solidariedade do Brasil com o querido povo venezuelano"
O presidente da República, Michel Temer, afirmou, nesta segunda-feira (18), que o Mercosul deve manter as negociações com a União Europeia pelo acordo de livre-comércio. Apesar de ter citado negociações externas, Temer não mencionou a China em nenhum momento de sua fala na reunião de cúpula do bloco.

“Acho que não devemos abandonar ideia da aliança da União Europeia com o Mercosul. Nosso trabalho há de ser cada vez mais de abertura com o mundo. Fechar esta porta significa impedir o caminho das negociações”, disse Temer.

Segundo fontes, Temer decidiu dar ênfase ao assunto porque os europeus interpretaram mal a fala do chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, no domingo, que defendeu uma negociação comercial ampla com a China. Com apoio do chanceler da Argentina, Jorge Faurie, Novoa disse que sente que as negociações com a UE estariam próximas de uma “ruptura”.

A reunião do Mercosul, nesta segunda, marca justamente a transferência da presidência pro tempore do Paraguai para o Uruguai. Por isso, de acordo com aliados de Temer, houve receio de que o acordo com a UE pudesse perder intensidade nos próximos meses.

Durante a reunião de cúpula do Mercosul, na manhã desta segunda-feira, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, reforçou a fala do chanceler e reclamou da demora na finalização das negociações com a UE, que já duram mais de 20 anos.

Em resposta ao presidente do Uruguai, o presidente Temer afirmou que as coisas “não se resolvem de um dia para o outro, nem de um ano para o outro”. “Por muito tempo, trabalhamos no acordo com a UE, mas penso que acentuamos nossas negociações apenas nos últimos anos. Não é por acaso que negociações avançaram enormemente nos últimos tempos”, continuou.

Temer disse ainda que o Mercosul tem por objetivo “melhorar a abertura no lugar de se fechar em si mesmo”.

A vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, seguiu uma linha parecida com a de Temer, defendeu o acordo com a UE e também não mencionou um possível entendimento com a China.

Inspeção em Roraima

Temer anunciou que irá, acompanhado do líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), na terça-feira (19) para Roraima inspecionar pontos de atendimento aos refugiados, como o abrigo Nova Canaã, na cidade de Boa Vista.

“Lamentamos que exista uma certa ruptura existente na ordem democrática da Venezuela e nós continuamos vigilantes frente a uma deterioração humanística no quadro daquele país”, disse Temer.

Ele afirmou que o Brasil tem recebido “milhares e milhares de imigrantes venezuelanos que buscam uma vida melhor” e que “não tem poupado esforços” para recebê-los, citando que o País oferece alimentação, remédio, abrigo e uma carteira de identidade transitória. “Nosso povo irmão atravessa um momento preocupante e não há espaço para hesitações, por isso que agimos dessa maneira”, declarou Temer.

No domingo (17), durante reunião preliminar do Mercosul, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, lamentou que o regime venezuelano “persista na violação sistemática dos princípio constitutivos do Mercosul”.

“Reitero em alto e bom som a solidariedade do Brasil com o querido povo da Venezuela, sentimento que sei que é partilhado pelos demais membros do bloco. O governo do presidente Michel Temer não tem poupado esforços para assegurar, em consonância com as melhores práticas das Nações Unidas, um tratamento digno aos milhares de venezuelanos que fogem da indigência e das enfermidades”, disse Aloysio.

Segurança pública

Temer também defendeu, no discurso, que o Mercosul deve atuar em conjunto no combate ao crime organizado. “O crime organizado hoje não é mais nacional, é transnacional. Creio que o Mercosul pode ajudar a fazer diferença nesse flagelo”, disse o presidente

Ele ressaltou que a segurança pública é ponto prioritário que mobiliza o seu governo.