Temer é “última bala de Dilma” para resolução de crise, analisa Jarbas Vasconcelos

  • Por Jovem Pan
  • 08/04/2015 09h38
Jarbas Vasconcelos 040309

A escolha de Michel Temer para liderar a coordenação política do governo foi recebida com desconfiança por seus colegas peemedebistas. Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan desta quarta-feira (08), o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou que o vice-presidente não tem os atributos necessários para assumir a tarefa. “As qualidades não são suficientes para esse momento de crise. Ele não vai resolver coisa nenhuma”, disparou.

Temer assumiu a função depois que esta foi recusada pelo ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha. Para se tornar o articulador, o vice-presidente da República pediu o fim da pasta da Secretaria das Relações Institucionais. Dessa forma o governo passa a ter 38 ministérios, não mais 39. “Dilma usou a última bala que ela tinha. E se isso não der certo? E se a gente continuar dentro desse quadro?”, indagou.

Vasconcelos afirmou que os correligionários de Temer ficaram sem reação com a notícia já que ninguém do PMDB teria sido informado previamente: “absolutamente ninguém foi consultado. Ela escolheu novamente de forma autoritária, sem falar com ninguém, talvez só com o Sarney, que é o novo conselheiro permanente da Dilma”.

O deputado afirmou que, nessa conjuntura, o PMDB se classifica como oposição, apesar de ser parte do governo, e que essa é uma situação “sem saída” porque o governo “anda com o diálogo relativamente reduzido com o presidente do Senado e mais ainda com o presidente da Câmara”.

No entanto, o deputado ressaltou que a tentativa de articulação não deve ser desacreditada principalmente no atual momento do Brasil, o qual classificou como “tenebroso”. “Quem vive uma crise como a gente vive poderia torcer para que isso [a decisão de escolher Temer] desse certo. A gente está vendo o governo definhando e a crise ainda está por vir porque a Lava Jato não foi concluída, a inflação não está controlada e há corrupção desavergonhadamente que continua dentro e fora do governo”, pontuou o deputado.

Jarbas Vasconcelos concluiu desenhando três possíveis cenários para o desenrolar da inquietação política. “A gente tem três perspectivas: o impeachment, a renúncia, e o entendimento – que seria muito difícil para a oposição, mas que teria que aceitar”. Apesar disso, o deputado não vê hoje espaço para diálogo, uma vez que vê Dilma hesitante em se reunir com o PMDB: “ora, se ela está relutando em sentar à mesa com seu chefe Lula, imagina com a gente. Impossível. O processo se encontra estrangulado”.

Ouça entrevista completo no áudio acima.