Temer responde a protestos na Paraíba e diz que torce por “enchentezinha”

  • Por Estadão Conteúdo
  • 10/03/2017 22h01
BRA01. BRASILIA (BRASIL), 05/01/2017.- El presidente brasileño, Michel Temer, sostiene una reunión con su gabinete sobre la crisis en el sistema penitenciario tras la matanza en una cárcel de Manaos, hoy, jueves 5 de enero de 2017, en Brasilia (Brasil). Entre el 1 y 2 de enero pasados, una reyerta en el complejo penitenciario de Anísio Jobim de Manaos causó la muerte de 56 presos. EFE/Joédson AlvesMichel Temer em Portugal - EFE

Alvo de protestos durante cerimônia de inauguração de obras de transposição do Rio São Francisco, na Paraíba, o presidente Michel Temer, no início do seu discurso, em Monteiro (PB), mandou um recado aos manifestantes. “Eles são a revelação mais clara da democracia que nós estamos vivendo”, defendeu-se.

Depois, ironizou: “Temos que aplaudir a eles. Como estão no sol, certa e seguramente, eles vão se banhar com as águas do Rio São Francisco”. Do lado de fora da cerimônia, houve protestos contra o presidente, com manifestantes gritando “Fora, Temer”. No evento, o volume do som foi aumentado e abafou o som das manifestações. “Se de um lado nós trazemos uma grande obra aqui para a Paraíba, de outro lado, se faz o protesto, democracia é assim”, disse Temer.

Em outro momento do seu discurso, quando comentava os benefícios da obra, Temer chegou a afirmar que esperava ver uma “enchentezinha” no Estado. “Eu espero que, ao final deste mais um ano e oito meses de governo, eu possa vir aqui e dizer que toda a Paraíba está irrigada, inundada de água, quem sabe até uma ou outra ‘enchentezinha’. É exatamente isso o que eu espero”, declarou.

Assim como fez em Campina Grande, também na Paraíba, por onde passou pela manhã, Temer atribuiu a paternidade da obra ao povo, em uma provocação aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que publicaram notas ao longo da semana reivindicando o mérito pela transposição do rio São Francisco. 

“Esta é uma obra pensada desde o tempo do império e executada nos últimos governos. É por isso que ambos Lula e Dilma, com a delicadeza e civilidade que devem presidir as relações políticas, disseram que quem terminou a obra foi o Temer, mas que isto passou por vários governos, que merecem o aplauso de todos”, disse o presidente.

Ontem, em sua página no Facebook, Lula ressaltou que a obra começou na sua gestão. Ele escreveu que muitos diziam que a transposição era algo impossível, “até que Lula foi lá e fez”, destacando que os trabalhos começaram em 2007, quando ele estava no primeiro ano do seu segundo mandato.

Dilma, também ontem, em seu site, apresentou números para destacar que a maior parte dos investimentos foi feito no período petista. “Os governos Lula e Dilma empenharam 92,40% e pagaram 87,50% da execução do projeto de integração do São Francisco, antes do golpe de 2016”, diz a nota. Ela já havia dito, na terça-feira, que 86,3% das obras estavam concluídas até abril do ano passado, um mês antes de Dilma ser afastada da Presidência.

Na abertura da cerimônia em Monteiro, a prefeita da cidade, Anna Lorena Leite (PSDB), afirmou que a obra é “fruto do trabalho de vários líderes, que se empenharam para tornar realidade” a transposição das águas do rio São Francisco. “Essa obra é a redenção do nosso povo”, concluiu.

Ao ser mencionado pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) como um entre os “vários responsáveis” pela obra, o nome do ex-presidente Lula foi aplaudido pelos presentes. Cunha Lima também relembrou o atraso da obra na gestão de Dilma. A conclusão da obra foi atribuída pelo senador ao governo Temer. “Muitos contribuíram para ela (obra), mas é o presidente Michel Temer e sua bancada que nos permitiu viver este momento.”

No fim do seu discurso em Monteiro, Temer disse que seu governo tem “causado os melhores efeitos, sem nenhuma desvantagem em relação a governos anteriores”, admitindo que sua gestão é marcada por “sacrifícios”, em referência às reformas econômicas. “Eu sempre me recordo de uma frase que se atribui a d. Hélder Câmara: eu sou como a cana na moenda. Por mais que eu seja espremido, eu só consigo dar doçura, eu só consigo dar doçura, só doçura, minha gente”.