‘Tira minha administração dessa conversa’, diz Haddad sobre Lava Jato

  • Por Estadão Conteúdo
  • 26/07/2016 11h50
São Paulo - O prefeito Fernando Haddad, participa do Dia de Mobilização Nacional contra o Aedes aegypti (Rovena Rosa/Agência Brasil) Rovena Rosa/Agência Brasil Fernando Haddad (AGBR)

O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), classificou sua administração à frente da cidade como “proba” e rebateu qualquer comparação do seu mandato com as denúncias envolvendo o PT na Operação Lava Jato. 

“Tira minha administração dessa conversa porque é administração mais proba… Até meus adversários reconhecem a probidade. Então não vamos misturar”, disse Haddad, durante sabatina realizada pelo portal UOL, jornal Folha de S.Paulo e SBT, ao ser questionado sobre o escândalo envolvendo os governos da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Haddad admitiu que o maior erro do PT no governo federal foi não ter feito a reforma política para acabar com o financiamento empresarial de campanhas – proibido somente após avaliação da Justiça – e ainda pelo fim das coligações proporcionais nas eleições. 

“O PT tinha de ter tido coragem de ter feito a reforma política proibindo o financiamento empresarial e as coligações proporcionais. Partidos são corretores de tempo de TV e apenas três ou quatro têm bandeira. Isso é uma vergonha”, disse. “O mal original está no sistema que empurra para a ilegalidade”.

Para explicar a fisiologia política, Haddad disse que em São Paulo é fácil construir uma maioria na Câmara Municipal por conta da pressão popular e pelo número menor de parlamentares, ao contrário de Brasília. “Aqui são 55 vereadores (…) e é possível aprovar propostas com a força popular. Lá, com 513 deputados e 81 senadores, que força você vai reunir? O maior erro do PT foi não ter feito a reforma política e ela (Dilma) foi vítima disso também”, reforçou.

O prefeito rebateu ainda as denúncias de que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria viabilizado a injeção de recursos de caixa 2 na campanha à eleição, em 2012, e ainda o possível uso de dinheiro não contabilizado por meio do marqueteiro João Santana, preso na Lava Jato. “Na minha campanha quem responde sou eu e o meu tesoureiro. E você não vai encontrar ninguém que fale sobre nada além da legislação”, disse sobre as denúncias. 

“Eu tive cuidado de assinar o contrato com o João (Santana) e checar o que tinha no mercado, em sintonia plena com a do (José) Serra (derrotado por Haddad) para evitar ilações e suspeitas, até porque, em 2012, estava no auge do mensalão”, completou o prefeito.