Toffoli: CNJ deve dar apoio e meios para implementação do juiz de garantias

  • Por Jovem Pan
  • 08/01/2020 21h01
Cleia Viana/Câmara dos DeputadosA instituição do juiz de garantias encontra resistência de associações de magistrados

O ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quarta-feira (8) que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deve dar apoio aos tribunais do País para implementação do juiz de garantias. Ele esteve no Tribunal de Justiça de Pernambuco pela primeira vez desde que assumiu a presidência da Corte.

A instituição do juiz de garantias encontra resistência de associações de magistrados. A Associação de Magistrados do Brasil e a Associação de Juízes Federais, por exemplo, entraram com ações no STF contra a medida.

Sobre a possibilidade de reversão da lei criada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, Toffoli disse: “Existe uma ação que vai ser decidida no Supremo Tribunal Federal e vai ser discutida posteriormente. O que o Conselho Nacional de Justiça tem que fazer no momento é dar os meios e o apoio aos tribunais para implementar aquilo que é um comando legal.”

O presidente Bolsonaro recebeu aval de Toffoli para sancionar a medida proposta no pacote anticrime.

O ministro, que também é presidente do CNJ, falou que o órgão criou um grupo de trabalho para receber propostas de tribunais, magistrados, Procuradoria e Defensoria para “ver a melhor maneira de operacionalizar isto que foi uma lei aprovada pelo Parlamento brasileiro e sancionada pelo presidente da República”

Questionado sobre a reação de alguns Estados à criação do juiz de garantias, Toffoli comparou a medida à atuação do Departamento de Inquéritos da capital paulista. “Em São Paulo, inclusive, já existe algo muito parecido com o juiz de garantias que é o Departamento de Inquéritos Policiais na capital, onde 13 juízes dão conta de 85 mil inquéritos em andamento”, explicou.

De acordo com a nova lei, toda persecução penal contará com dois magistrados: um dedicado à fase de investigação e outro à fase do processo judicial.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, se posicionou contrário à criação da função. “Sempre me posicionei contra algumas inserções feitas pela Câmara no texto originário, como o juiz de garantias. Apesar disso, vamos em frente.”

* Com informações do Estadão Conteúdo