‘Vai resultar em impunidade’, diz procuradora sobre transferência de crimes comuns à Justiça Eleitoral

  • Por Jovem Pan
  • 15/03/2019 09h57 - Atualizado em 15/03/2019 09h59
Nelson Jr./SCO/STF

A procuradora Thaméa Danelon afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã desta sexta (15), que a decisão tomada ontem pelo STF de transferir crimes comuns que envolvam campanhas à Justiça Eleitoral “vai resultar em impunidade”.

O julgamento desta quinta (14) feito pelo plenário da Corte fará com que lavagem de dinheiro, corrupção e outros delitos que normalmente correm na Justiça comum mas que tenham acontecido durante eleições sejam remetidos aos tribunais eleitorais, geralmente mais brandos nas punições. A decisão foi tomada por 6 votos a 5.

“Vai resultar em impunidade”, disse Danelon. “A maioria dos advogados criminalistas queria que isso acontecesse, a Justiça Eleitoral mal tem capacitação para julgar esses crimes” .

 

A promotora também chamou de “crime contra a honra” os ataques proferidos por Gilmar Mendes aos procuradores da Lava Jato durante o voto. O ministro chegou a chamar o procurador Deltan Dallagnol de “gângster” ao afirmar que a Lava Jato cometia excessos nas apurações de crimes.

“A Suprema Corte tem que dar exemplo aos brasileiros”, avaliou Danelon. “O ministro Gilmar Mendes ofendeu membros da nossa carreira. Eu vejo isso como um crime contra a honra”.

Os reflexos da decisão do Supremo Tribunal Federal ainda não formam um consenso, e não devem ter efeito imediato, já que os processos terão que ser analisados caso a caso. O que deve ocorrer é a formulação de diversas reclamações de investigados que respondiam a processos na Justiça federal. Eles podem argumentar que os atos praticados não são legítimos, porque o juiz deveria ser eleitoral.