Vídeo de religiosos na Câmara do Rio gera polêmica; vereador se defende: “não foi culto”

  • Por Fernando Ciupka/Jovem Pan
  • 03/10/2017 20h54
Divulgação/PRBDe acordo com o bispo, ele agiu dentro do regimento, que não proibia a realização da cerimônia, e com a autorização do presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB)

Um vídeo gravado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro que mostra o Primeiro Encontro Interdenominacional está gerando bastante repercussão na internet. Nas imagens, vereadores e diversas outras pessoas cantam músicas religiosas no plenário, muitos de mãos dadas, em um movimento que se assemelha a um culto, mas não é, de acordo com o vereador Inaldo da Silva (PRB).

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o bispo negou que o ato tenha sido contra o inciso I do artigo 19 da Constituição Federal, que diz que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios “estabelecer cultos religiosos”. Segundo Inaldo, não foi feito um culto na Câmara do Rio.

“Não teve pregação, não foi um culto. Foi um dia de um ajuntamento de todas as denominações. Não teve culto. Teve uma cerimônia oficializando essa data. Tanto é que o próximo a gente vai fazer no Maracanãzinho”, afirmou o vereador.

De acordo com o bispo, ele agiu dentro do regimento, que não proibia a realização da cerimônia, e com a autorização do presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB).

Na página do Facebook do vereador, diversas pessoas manifestaram repúdio ao movimento realizado na Câmara, mas também teve quem elogiou e parabenizou a ação.

“O Estado é laico, isso é uma vergonha. Faça isso na sua casa ou no templo religioso, vocês são uma vergonha para o povo evangélico sério”, diz uma usuária da rede social.

“Coisa linda, amei! Deus abençoe vocês! Deus esconde o povo seu no esconderijo do altíssimo, agradeço ao pai por vocês”, escreveu outra.

Inaldo negou ainda que a cerimônia possa ser um desrespeito a pessoas de outras crenças, já que a Câmara é uma “casa de liberdade”, e relembrou um episódio em que Marcelo Freixo (PSOL) fez algo parecido com pessoas da Umbanda na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

“Você pode ver o Freixo fez na Alerj, comemorou o dia da Umbanda. Outros fazem seus movimentos daquilo que acredita. Eu vejo, posso estar errado, mas como é uma Casa democrática, quer dizer, o católico quer fazer, tem liberdade pra fazer. O ruim é se um só fizesse e o outro não pudesse. Porque cada vereador representa um pedaço e ele quer levar a sua comunidade pra esse encontro. Talvez por esse lado não acho incorreto, já que todos têm a mesma liberdade”, disse o vereador.

O episódio citado por Inaldo com relação ao ex-candidato à Prefeitura do Rio foi a cerimônia de homenagem à Mãe Beata de Iemanjá, na qual uma homenagem póstuma foi entregue pelo deputado aos filhos da mãe de santo, no mês de julho. Na ocasião, Freixo permitiu que um seguidor da Mãe Beata tivesse a oportunidade de invocar entidades de candomblé no plenário e discursar contra políticos evangélicos.

A assessoria de imprensa do bispo informou ainda que a solenidade não foi feita em dia de votação no plenário, portanto, não atrapalhou votações.